No início do mês, numa surfada por Peniche com o meu primo Henrique Casinhas, ele revelou-me que tinha sido nomeado finalista do World Photography Cup, com cerimónia de entrega de prémios marcada para Reiquiavique. O Henrique perguntou-me se alinhava na viagem com ele e, depois de alguma hesitação e uma pequena pesquisa, decidi aceitar o desafio. Assim que comprámos os bilhetes, começámos a delinear o plano.


A imagem que tinha pré-concebida era a de um país pequeno, frio, escuro e com algumas ondas, mas nada de especial. A realidade acabou por ultrapassar largamente essa ideia.

Chegados a Reiquiavique, tínhamos cinco dias pela frente, munidos de um 4×4 e muita vontade de explorar. Nas duas semanas antes de partir, o Hugo Pinheiro deu-me o contacto de um bodyboarder chileno que vive e trabalha na Islândia. O Pablo Aneiva foi a nossa grande ajuda, indicando os melhores picos conforme as previsões. Infelizmente, não tivemos muita sorte com as ondas — o vento estava bom, mas havia pouca energia no mar.

Ainda assim, arrancámos para um pico com potencial: uma direita curta e tubular que quebrava sobre uma laje rasa de rocha vulcânica. Deu para perceber o potencial da onda, mas estava demasiado pequena e demorada, com um vento forte que ainda cortava mais o swell. Não haver ondas, porém, não é motivo de desilusão — é uma oportunidade de usar o tempo para descobrir a beleza do que nos rodeia.

Rumo ao Vatnajökull

Percebendo que as ondas não iriam aparecer, iniciámos um plano intensivo de visitar várias localizações à caça das melhores fotos. No segundo dia partimos rumo ao sudeste da ilha, com o objetivo de chegar ao Vatnajökull, o maior glaciar da Islândia e da Europa. No caminho, passámos pelas icónicas cascatas de Seljalandsfoss e Skógafoss, que logo encheram o olho e confirmaram a beleza incrível da ilha. Passámos pelo Dyrhólaey, um arco natural em rocha de proporções enormes, famoso por ter servido de cenário em Game of Thrones, e pela aldeia típica de Vík.

A partir daí, as condições atmosféricas pioraram: uma chuva miudinha e um nevoeiro que deram um cenário ainda mais místico a esta viagem de carro — cerca de 200 km de retas com paisagens desérticas de areia negra e tundra infinita. Porém, à medida que nos aproximávamos do destino, as nuvens dissiparam-se e chegámos ao glaciar, recebidos por um céu limpo e uma luz de fim de dia. Foi, claramente, um dos cenários mais impressionantes que já presenciámos: quilómetros de gelo à vista e icebergues a quebrarem constantemente, a flutuar a poucos metros de distância na lagoa de Jökulsárlón.

Uma das fotos que queríamos fazer era na Diamond Beach, a praia junto à saída para o mar, onde ficam depositados fragmentos de gelo dos icebergues. Infelizmente, havia poucos pedaços nesse dia, pelo que adiámos a ideia para o dia seguinte. Mas o dia ainda não tinha terminado: fomos ao nosso Airbnb ali perto, recarregámos energias, e voltámos ao glaciar pela meia-noite para tentar ver as auroras boreais.

Depois de quase uma hora sem nada, lá surgiu uma pequena mancha verde que nos levou a uma excitação difícil de descrever. O Henrique já as tinha visto na Noruega, mas para mim foi a primeira vez — e valeu a pena, mesmo com um frio cortante e a cair para o lado de sono depois de um dia longo.

Gelo, Prancha e Aventura

No dia seguinte, não desistimos do nosso objetivo de fazer uma foto de fato e prancha num dos cenários do glaciar. O Henrique explorou o mapa e encontrámos uma zona fora dos trilhos mais conhecidos, com o ambiente perfeito para a foto que tínhamos em mente. Foi então que o Henrique decidiu que entrar na água do glaciar e subir para um icebergue era a aventura ideal. E assim fez. O resultado são fotos que merecem estar expostas nas paredes das nossas casas.

Estas imagens servem para apresentar a nova coleção de pranchas da GT Bodyboards, onde mantenho dois modelos do meu promodel: a DFX e a DF Retro.

A Nova Coleção GT Bodyboards

DF Retro — Uma prancha all-around, um pouco mais larga em todo o comprimento, com double concave — solta e rápida tanto em condições mais fracas como em situações tubulares.

DFX — Um shape com o wide point mais subido, equilibrado por um perfil mais estreito no geral, combinado com um quad concave, tornando-a uma prancha super rápida, ideal para atravessar os tubos mais exigentes e executar manobras nas zonas críticas da onda. Foi este modelo que me levou ao título nacional de 2025.

Ambos os modelos partilham o mesmo ADN técnico: core de PP 1.9 pcf, deck em NXL, slick em Surlyn com mesh, bulbs para ergonomia perfeita e um stringer tubular de fibra de carbono.

Finalmente na Água — Grindavík

Depois da sessão fotográfica, decidimos fazer a viagem de regresso a Reiquiavique com o objetivo de surfar ao final do dia. 400 quilómetros depois, estávamos na aldeia de Grindavík, a ver uma pequena onda perfeita a quebrar num final de dia com um offshore lindo. Apesar do frio, não podíamos deixar de nos estrear a surfar na Islândia. Vestir um fato de 5/6 mm com botas e luvas de 5 mm revelou-se uma tarefa difícil, e dentro de água a sensação foi estranha — pouca liberdade de movimento e uma dor de cabeça em cada bico de pato. Na água encontrámos o nosso amigo chileno e partilhámos uma sessão de direitas num ambiente de pôr do sol inesquecível.

Pódio, Fotografias e Kirkjufell

De volta ao Airbnb de Reiquiavique, o sábado foi dedicado ao evento anual do World Photographic Cup. O Henrique foi premiado com a medalha de prata na categoria de Desporto, levando o nome de Portugal ao pódio. Tivemos ainda a oportunidade de assistir a palestras muito inspiradoras dos fotógrafos Ragnar Axelsson e Benjamin Hardman.

Como se não chegasse, decidimos às sete da tarde arrancar para o Kirkjufell, a 180 km de distância — o equivalente a ir e voltar de Lisboa à Figueira no mesmo dia, pelas nacionais. Foi intenso, mas valeu para conhecermos a montanha mais fotografada da Islândia.

Lava com Menos de um Ano

O último dia foi mais tranquilo: fazer as malas e passar, a caminho do aeroporto, pelo vulcão Sundhnúkugigar, um dos vulcões mais ativos do mundo, passeando sobre lava com menos de um ano de idade. O regresso foi simples, com voo direto para Lisboa.

Até à Próxima, Islândia

Foi uma viagem que me surpreendeu pela positiva — um dos sítios mais impressionantes em termos de natureza, onde é ela que manda. O Henrique foi, como sempre, um companheiro de viagem perfeito. Que melhor do que ser convidado por um fotógrafo de nível mundial para explorar um dos lugares mais bonitos do mundo? Ficou a vontade de voltar e descobrir ainda mais esta ilha.

Espero que gostem das fotos e fiquem atentos à nova coleção da GT Bodyboards, que chegará às melhores lojas em breve.


Texto de Daniel Fonseca
Fotografia de Henrique Casinhas