A tecnologia da Wavegarden Cove, usando a sua versão mais reduzida, instalou-se de pedra e cal nos Alpes Suíços e está a dar que falar. Todos os dias cativa novos fãs e entusiastas do cloro.

O português Filipe Guerreiro, um dos habitués do complexo desportivo, fez o favor de nos explicar como funciona esta nova piscina de ondas artificiais, quanto custa e o que podemos esperar. Enjoy!

O projeto

Lançado em 2015 por Adam Bonvin, o projeto Alaïa (cujo nome é inspirado nas primeiras pranchas de madeira usadas pelos polinésios) nasceu após uma surf trip em Hossegor, França. O sonho de Bonvin passava por recriar, em pleno território suíço, a atmosfera do surf e dos desportos de ação.

Mais tarde, em março de 2016, o projeto acabou por ver a luz do dia após garantir o dinheiro necessário através de uma iniciativa de crowdfunding. Em menos de 50 dias foram angariados mais de 100 mil francos suíços e o conceito pôde, finalmente, tornar-se realidade.

O funcionamento

A piscina funciona todo o ano non-stop. Uma sessão de 1 hora custa 109 francos suíços (102 Euros). Nela o pico é partilhado por 10 pessoas, sendo que cada set produz 5 ondas. “A máquina bomba um set e vão 5. Depois há uma pausa de 1 minuto, mais ou menos, e eis que volta a produzir um novo set de 5 ondas”, refere Filipe Guerreiro.

Nesses 60 minutos da sessão apanha-se entre 8 a 10 ondas, que, quando comparado a uma surfada no mar, acaba por ser fisicamente mais intenso. “Não sei bem explicar porquê, mas de 5 em 5 minutos estás a apanhar uma onda. Quando terminas, voltas a remar até ao pico, onde descansas 3 ou 4 minutos e, pimba, lá vem uma nova onda!”, justifica o português.

 

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As sessões

As sessões estão divididas em vários níveis. “Desde o iniciante, aquela ondulação de Carcavelos no verão para o pessoal aprender; e vai aumentando de nível, waikiki, malibu, advanced, expert, pro e beast. Porém, as sessões iniciante, waikiki e malibu metem mais pessoas por sessão, entre 15 a 20, mas a máquina também bomba mais ondas por set”, explica.

As ondas

É de ter em atenção que, numa única sessão, as ondas não são sempre iguais, Por exemplo, no nível pro, a onda não proporciona logo uma secção super redonda, mas antes uma boa parede com uma secção menos tubular. Isto acontece ao início da sessão, durante 3 ou 4 ondas para aquecer, e depois fica um pouco mais exigente, apresentando uma secção tubular logo a iniciar (como se pode ver no vídeo anexo). Isto acaba por acontecer em todos os níveis e em todas as sessões. Há uma primeira parte que apresenta um tipo de ondas e depois passa para outro tipo. A água da piscina também é doce, mudando ligeiramente a sensação de flutuação e a nuance do atrito.

Localização

O resultado de engenharia alcançado é simplesmente incrível, como, aliás, Filipe Guerreiro não se cansa de frisar: “As ondas são perfeitas, têm power e fazem tubos. Que mais podemos querer de uma máquina? As sessões estão sempre lotadas! As instalações do complexo ficam na cidade de Sion, a 1h40 de carro do aeroporto de Genebra, e possuem surf shop, sala de shape, escola de surf e restaurante com terraço, tudo rodeado por um relvado bem verdinho, sombra de árvores e um lago para dar uns mergulhos.”

Por incrível que pareça, a tribo do bodyboard está em franco crescimento pela Suíça e já procura organizar algo em torno do desporto. Há um grupo no Facebook, chamado Swiss Bodyboard Club, com cerca de 90 membros, onde a comunidade se vai mantendo em contacto. xxx