Com a revelação do Circuito Nacional de Bodyboard Open (CNBBO), que no calendário competitivo da presente temporada volta a cruzar o arquipélago açoreano, resolvemos contactar Samuel Barcelos, um dos regulares da Ilha Terceira e do fantástico spot de Santa Catarina, para uma breve atualização.

Vejamos como correu e o que nos contou o campeão em título dos Açores.

Depois de alguns anos de hiato, a Terceira volta a receber o Nacional de Bodyboard. Como aceitou a comunidade esta novidade?

É com alegria que a Terceira recebe sempre uma festa como a do bodyboard nacional. Temos de aproveitar esse tipo de oportunidade para mostrar que temos ondas locais com qualidade nacional e mundial, apesar de algumas pessoas da ilha subestimarem essa existência! Infelizmente, essa onda teve em risco e fazendo campeonatos foi uma das “mil formas” que arranjámos para tentar impedir – ou nesse caso minimizar – a destruição da onda. A ASTerceira tem tido e continua a ter um papel crucial nesse aspeto. A eles MUITO obrigado!

Como local experiente, a época escolhida (2 a 5 de outubro) é uma boa altura para se realizar um campeonato?

É sempre um risco que corremos em delimitar tão assertivamente uma data que depende de fatores da Natureza, mas outubro já começa a ser a entrada para o inverno, o que poderá surpreender com a entrada de novos swells e proporcionar umas boas ondas!

“Primeiro que tudo, é preciso humildade [para Santa Catarina]”

Santa Catarina é uma onda super exigente. Que características devem ter os bodyboarders para se dar bem?

Primeiro que tudo, humildade. Depois, tentar perceber o pico, o drop e onde podem ou não atrasar para o tubo! Já agora, não se esqueçam que o fundo não é muito meigo (risos), mas que a onda também é convidativa a voar. Preparem o trem de aterragem!

Assim a nível nacional quem te parece estar melhor preparado para atacar a etapa?

Não tenho bem a certeza quem vai correr o nacional esta época, mas avaliando por quem vem muita vez ter connosco, o Hugo Pinheiro e o Luís “Porkito”.

E a nível local, quem poderá dar cartas?

A nível local temos uma nova geração que eu ficaria muito feliz de os ver a dar cartas, pois eles têm tudo o que é preciso!

Que preferes em Santa Catarina: direita ou esquerda? 

Direita! O cotovelo da onda é maior e parece que nos vai matar sempre. (risos)

“(…) temos uma nova geração que eu ficaria muito feliz de ver a dar cartas”

Fala-nos um pouco de ti e do teu dia-a-dia…

Neste momento trabalho na Base Aérea das Lajes. Tenho um trabalho com um horário limitado, o que me impossibilita de surfar como gostaria… até tenho andado mais virado para a vertente de navegação marítima, seja à vela ou a motor! Faço a minha preparação física sempre que possível (sou meio malandro nessa área).

O facto de morarmos numa ilha tem as suas coisas boas como as suas coisas más. A nível de bodyboard/surf estamos um pouco limitados devido aos quadrantes que as ondas estão direcionadas, ou seja, está quase tudo virado para o mesmo. Depois o que varia são os quadrantes de vento!

Não poderia perder este momento para agradecer ao meu patrocinador que ao longo dos anos me tem vindo a manter na equipa da Surfcloud.pt e no momento a correr pela NMD. A ti, Nuno Amado, muito obrigado a nível pessoal e por tudo o que tens feito pelo bodyboard nacional.

“O facto de morarmos numa ilha tem as suas coisas boas e más!

Última questão. Como estão as coisas competitivamente a nível regional?

A nível regional as competições foram arrefecendo um pouco com o tempo, o pessoal ficou desmotivado para a competição e acho que isso tudo é devido às ondas que apanhamos nos campeonatos. Mais rapidamente nos encontramos para um free surf ou surf trip nos Açores que para um campeonato!

Neste momento continuo o campeão regional em título. Obrigado pela oportunidade. xxx


Fotografia: Paulo Melo