O terceiro dia do Sintra Pro Fest 2026, 30.ª edição do campeonato com maior historial do circuito mundial que decorre até domingo na Praia Grande, ficou marcado por condições de mar com ondas muito pequenas, mas exibições inversamente proporcionais ao tamanho das vagas, com o trio português constituído por Miguel Ferreira, Francisco Ferreira e Rodrigo Lopes a destacar-se entre um lote de vedetas internacionais.
Miguel Ferreira (foto no topo) parece ter encontrado o “cheat code” para bater o campeão mundial Uri Valadão, superando-o mais uma vez na ronda 4 (14.75 contra 12.10 pontos do brasileiro), mas com ambos a passar à ronda 5 às custas da eliminação do francês Yann Salaun (10.60 pts).
“O essencial hoje era estar atento às poucas ondas que entravam. A escolha de ondas é cada vez mais crucial, não é como se o mar estivesse grande e tivéssemos muitas oportunidades, por isso, a estratégia é fundamental e sim, as aspirações a um bom resultado permanecem intactas.” Um bom resultado é significativo se se tiver em conta que Miguel Ferreira foi finalista vencido em 2025 frente ao francês Pierre-Louis Costes, ele também vencedor da sua bateria da ronda 4, batendo os compatriotas Fabien Thazar e Arthur Buggle, com este último a ser arredado da prova.

Francisco Ferreira (12.15 pts) ultrapassou o marroquino Badr Chajari (10.25 pts) com ambos a passar à ronda 5, enquanto o venezuelano Edwin Aldana fez as malas nesta ronda 4.
Finalmente, Rodrigo Lopes passou em segundo à próxima ronda, logo atrás do francês Ethan Capdeville, filho do lendário antigo campeão mundial Nicolas Capdeville, com o também gaulês Txomin Manterola a cair nesta ronda.

Uma ronda onde se assinalaram grandes scores com o campeão mundial de 2024, o canário Armide Soliveres, a arrancar o maior total do dia (16.50) com ondas de 8.00 e 8.50 pontos.
Contudo, também o já citado Miguel Ferreira e o brasileiro Eder Luciano estiveram em grande destaque. Luciano é mesmo um conhecido especialista em ondas pequenas, onde surpreende apesar do seu tamanho (1,92m e 89kg).

“Entrei focado em apanhar uma onda muito boa e quando tive a prioridade, apanhei uma da série e fiz um seis pontos. Percebi que os juízes estavam a premiar as ondas maiores mais lá fora. Foi uma questão de experiência e de paciência e força mental para aguentar a pressão. São muitos anos a surfar aqui, uma onda muito parecida com a minha onda local, a Plaza, em Ipatema, no sul do Brasil”, resumiu Eder Luciano, acrescentando a propósito da relação especial que mantém com este Mundial da Praia Grande:
“Todos os anos venho a Sintra, eu amo este sítio. Foi o primeiro sítio onde vim competir no circuito mundial e só faltei nos anos da pandemia e o ano passado. Tenho grandes amigos e tenho uma conexão grande aqui e sonho ter a minha foto no cartaz deste evento.” [referência ao facto de o cartaz de cada ano destacar o vencedor da edição transata].
O dia, mais curto devido ao degradar das condições de mar, foi exclusivamente dedicado à competição masculina, existindo grande expectativa relativamente às ondas que a Praia Grande tem reservadas para o Sintra Pro Fest amanhã.
