Joel Rodrigues e Miguel Ferreira tornaram-se os últimos portugueses em prova na divisão Open depois daquele que foi o quarto e mais longo dia de prova no Sintra Portugal Pro, onde se assistiu a alguns golpes de teatro, como a eliminação do campeão nacional Daniel Fonseca e de Ricardo Rosmaninho, ou, ainda, a heroica prestação da jovem Filipa Broeiro nos quartos de final femininos.

O melhor é ir por partes: Joel foi o primeiro a entrar em ação, levando a melhor sobre a lenda havaiana Dave Hubbard e o gaulês Maxime Castillo. Imediatamente a seguir, Daniel Fonseca tinha aquele que era, provavelmente, o heat mais complicado do dia, frente ao campeão em título da prova, o marroquino Anas Haddar, e o antigo campeão mundial e triplo vencedor do Sintra Pro, o brasileiro Uri Valadão. E, de facto, o português foi ultrapassado pelo surf letal destes dois especialistas em ondas pequenas, terminando assim a sua participação que tanto prometia. Anas Haddar saiu vencedor do heat e Valadão, em segundo lugar, pareceu estar de regresso à forma que o torna sempre tão perigoso na Praia Grande.

Os últimos dois heats da ronda 6 trouxeram sortes radicalmente diferentes para as cores portuguesas, com Ricardo Rosmaninho a não se dar bem com a escassez de ondas e a ser eliminado frente ao havaiano Sammy Morretino e ao basco Alex Uranga, vencedor da bateria. Logo a seguir, foi a vez de Miguel Ferreira tentar a sua sorte num mar que estava a tornar-se progressivamente mais difícil, com poucas ondas e a maré a encher, mas a conseguir passar em segundo, batido apenas pelo brasileiro Gabriel Braga mas mais forte que o francês Fabien Thazar.

Joel Rodrigues, de 17 anos, assumiu estar “confiante” para o restante da competição, mesmo tendo pela frente na ronda 7 os marroquino Anas Haddar e Abdennabi Machou, além do canário Armide Soliveres, campeão mundial júnior em 2018, que disse estar “muito contente com a minha prestação e confiante para a próxima ronda. Independentemente dos nomes, num heat a este nível qualquer um pode ganhar.”

Por sua vez, Miguel Ferreira emulou os sentimentos de Joel, perspetivando ir bem mais além que a ronda 7 que se segue. “Honestamente, sinto que consigo ir mais longe e até final. Já entrei com os melhores e senti que os conseguia acompanhar. Depois, tenho aquela estrelinha em Sintra e confio sempre que as coisas corram bem”, disse o português.

De resto, destaque nesta fase da competição para o campeão mundial em título, Tristan Roberts e Pierre-Louis Costes, ambos a vencer de forma categórica os seus heats.

Entretanto, num dia bastante longo, tornado ainda mais longo pela já habitual paragem devido à maré cheia, ainda houve tempo para realizar duas baterias dos quartos de final femininos, com Filipa Broeiro a defrontar Teresa Padrela num duelo fratricida entre duas portuguesas no qual Filipa saiu por cima, protagonizando mesmo um dos momentos mais arrepiantes do dia: um el rollo pesado praticamente em cima da areia que assinalou a sua passagem às meias-finais.

 

No final, claramente comovida pela primeira vez que passou a esta fase tão avançada da prova, a campeã europeia júnior de 2019, disparou: “É surreal, só pensava fazer heat a heat e agora posso chegar à final, é qualquer coisa que não esperava. A minha bateria foi disputada em condições muito difíceis, estava muito ansiosa, mas não deixei que isso me dominasse. Agora quero fazer o meu melhor e conseguir chegar à final!”

Na outra bateria dos quartos que se conseguiu realizar antes do pôr-do-sol, a brasileira Isabela Sousa, tetracampeã mundial, levou de vencida a espanhola Teresa Miranda e está também nas meias.

Como nota de rodapé, a notícia da morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio caiu como uma bomba na Praia Grande. Sampaio sempre foi um grande apoiante do evento e do bodyboard, tendo mesmo estado presente no Sintra Portugal Pro durante o seu mandato. Em resposta a esta notícia, a organização decretou que amanhã, antes do arranque da competição, seja celebrado um minuto de silêncio em homenagem ao antigo governante. xxx