21/01/2016, Gran Canaria – Inicio este texto com a palavra “humildade”, algo que por aqui faz muito sentido e se torna num valor moral que dá muita força e motivação para o que vi hoje. Para ser sincero, não esperava que a primeira sessão fosse desta forma e com esta fasquia. Pensei em algo gradual que fosse mais fácil adaptar-me.

Esta manhã cheguei a El Frontón e deparei-me com dois metros sólidos. Como costumamos dizer: umas verdadeiras bombas. Depois de alguma análise e conversa com a pessoa que me trouxe, decidi entrar e aproximar-me.

Sinceramente, preferi não olhar muito para o mar porque a cada bomba que rebentava ficava ainda com mais ansiedade. O meu parceiro ficou a tirar umas fotos e eu fui indo.

Quando cheguei à zona de entrada os enchios chegavam à área por onde normalmente se entra e sai, algo que não estava à espera. Depois de mais alguma análise lá consegui entrar e remar.

Na água não estava muita gente, eram cerca de seis as pessoas e a meia maré marcava as 10h30 da manhã.  Quando cheguei ao outside e me aproximei percebi que estava presente o francês Amaury Laverne, o basco Alex Uranga, os locais Guilherme Cobo e Ale Barbosa e ainda mais dois riders canários.

Disse olá a todos e posicionei-me.

Sem alongar mais este texto posso dizer que foi muito difícil apanhar ondas e as cinco que tive oportunidade de apanhar foram as mais intensas em todos os sentidos.

Finalizo este texto como comecei. Acima tudo é preciso ser humilde para aceitar a realidade – esta onda é impressionante e muito, muito pesada.

Agradeço a Deus por ter sobrevivido a este dia. O problema, parece-me, é que vem aí mais e melhor. Nos próximos dias vou entrar com a caixa estanque, mas não sei como vou conseguir sair porque as saídas com mar grande neste pico é um grande filme.


Texto: Daniel Fernandes