Teresa Almeida, de 22 anos, conseguiu um feito que nos deixou de peito inchado: a bodyboarder da Nazaré sagrou-se campeã mundial ao vencer o ISA World Bodyboard Championship. O evento, disputado ao longo da semana passada nas águas sul-americanas do Chile, juntou atletas internacionais de peso, mas o ouro, esse, veio mesmo parar à pequena e grandiosa Lusitânia.

Aproveitando o seu regresso a casa, eis a entrevista que se impõe à nova campeã mundial da modalidade.

Este título mundial é, sem dúvida, o feito mais importante da tua carreira. Que mudou agora na tua vida?
Bem, a minha vida neste momento ainda está a mil. Acabei de chegar do Chile, o telemóvel e os e-mails não param! São muitos telefonemas e entrevistas todos os dias! Acho que só tive noção da dimensão do que alcancei quando cheguei a Portugal e dei conta da reação das pessoas e dos media.

O título mundial não foram favas contadas uma vez que tiveste que superar a concorrência fortíssima de experientes atletas como a brasileira Neymara Carvalho e a francesa Anne-Cecile Lacoste. Qual a estratégia delineada para esta prova?
Sim, de facto o nível no evento foi muito alto. Estávamos todas a surfar muito bem e, claro, defrontar a multicampeã do mundo, Neymara, é algo sempre difícil! Mas eu sabia desde início que seria difícil, mas parece-me que entrei bem no campeonato e desde cedo vi que a escolha de ondas e a posição no pico seriam fundamentais. Num pico de pedra e sem sistema de prioridades, tive de jogar com a colocação no pico. Penso que foi isso que fez a diferença.

Que balanço fazes da participação portuguesa no evento?
O 4º lugar no geral foi um bom resultado, mas soube a pouco. Temos bodyboard para conseguir mais e melhor, ficou a faltar a tal estrelinha da sorte em alguns momentos importantes.

O bodyboard é uma modalidade que conta com pouco investimento, mas que sempre tem revelado bons resultados ao longo dos anos. Que tens a dizer sobre isso?
Realmente o bodyboard já deu imensos títulos ao país, à nação lusa. No entanto, continuamos a ser alvo de pouco investimento. Espero que este título ajude a mudar esta situação e que o bodyboard passe a ser visto como um desporto incrível que merece o investimento de todos.

Que objetivos e planos tens traçados para 2015?
Para o próximo ano espero reunir os apoios necessários para fazer o circuito mundial e evoluir ao máximo o meu nível de bodyboard. Quero também lutar pelos títulos de campeã nacional e europeia. A nível de seleção nacional, espero poder representar novamente meu país e lutar por mais medalhas. Obrigada a todos que me têm apoiado.
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Fotografia: Miguel Soares (ação) & Rommel Gonzales/ISA

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