No que diz respeito a ondas grandes, ou de consequência, se preferirem, há muito que o Ricardo Faustino e o Porkito são as grandes referências do bodyboard português. Logicamente, não são as únicas, há mais uns quantos nomes que poderíamos citar, mas na última década estes dois têm-se encontrado em demasiados desafios de pura insanidade, muitas vezes um puxa o outro e vice-versa.

Pois bem, a última aventura de Ricardo Faustino, algures pela Galiza, na mítica Costa da Morte, teve lugar no domingo passado e deitou por terra mais algumas barreiras na arena das ondas grandes. O bodyboarder nortenho juntou-se a João Guedes e Ramón Laureano, da Jet Resgate Portugal, e pode muito bem ter descido aquilo a que se pode chamar de… “next level”.

Neste momento Faustino leva clara vantagem sobre Porkito, mas será interessante ver se o rider da Figueira conseguirá dar uma resposta capaz num destes dias (do próximo inverno, claro). Para já, fica a entrevista exclusiva com o psico mais psico do momento.
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Já conhecias o spot?
Sim, já surfo esta onda há cerca de cinco anos… mas ainda não tinha conseguido fazer tow-in com tamanho. Só tinha surfado na remada.

Como foi surfar por lá em tow-in?
Foi na boa. Só ainda acho um pouco difícil porque não estou habituado (ainda) a ser rebocado, o que exige sempre alguma técnica e perícia.

Que resumo farias da sessão?
Bem, a sessão não correu da melhor maneira. Nós fomos com duas motas, o Ramon Laureano e o João Guedes faziam equipa numa e eu estava na outra para fazer segurança. Quando chegámos ao pico, por volta das 10h da manhã, após fazermos o caminho do porto de abrigo até lá, que demora uns 20 minutos, uma mota avariou-se e fez com que voltássemos atrás, para vermos o que se passava, tentarmos consertar, etc. Entretanto, perdemos a manhã toda e só voltámos ao pico às 14h30. O João Guedes começou a fazer com o Ramon, que se encontrava a rebocar, durante uma hora, e só depois fui eu. Ou seja, a melhor maré, que foi de manhã, nós perdemos. Mesmo assim ainda deu para apanhar umas quatro ou cinco ondas na direita. (N.A.: Sendo uma delas a que se encontra em anexo) Depois ainda fui tentar fazer umas à esquerda. A primeira correu bem, porque ainda fiz um tubo, mas na segunda levei uma grande sugadela numa onda de p’ra aí três metros. Acabei por bater no calhau, levei com outra de dois metros logo de seguida e aí achámos melhor regressar ao porto. E foi assim a sessão.

Podemos esperar mais insanidade deste género durante o inverno?
O futuro nunca se sabe, né? Não sei. Mas é claro que quero lá voltar. Basicamente, o meu sonho era apanhar uma destas mas conseguir mandar um tubo. Esse é o meu objetivo. Porque nesta onda (da imagem) acabei por não conseguir, pois no sítio onde dropei já devia estar na parede e não consegui voltar a tempo de fazer um tubo. Isto é assim, é um totoloto e um gajo nunca sabe onde a onda vai quebrar, por isso, tem que se ir lá muitas vezes, descer muitas ondas, tentar, etc; mas no geral foi fixe.

* Ricardo Faustino tem atualmente 35 anos e não dá sinais de abrandamento. Defende as cores da Invertshop, WR Rider Bodyboards, Typhoon Wetsuits e Tiago Duarte Fisioterapia, que é a pessoa que vai dando um jeito e metendo o corpo do atleta de Espinho operacional para estas aventuras.


Imagem cortesia de Inês Rodrigues

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