O havaiano Ben Severson, nascido a 29 de agosto de 1964, é um dos pioneiros originais do bodyboard e o primeiro que escolhi destacar nesta nova saga de crónicas denominada Mestres do Estilo.

“Aos oito anos, em Waikiki, eu só queria pranchas de surf e paipo boards. Em ’72 apareceram os primeiros bodyboards e aí tudo mudou na minha vida. Fiquei rendido e aos 16 já participava em campeonatos”, refere a uma entrevista à Vert em 2007.

É definitivamente um dos bodyboarders mais emblemáticos do desporto e um dos que mais me marcou, talvez porque durante longos anos tive uma ligação muito forte com a BZ (marca que ambos representámos enquanto atletas).

De qualquer forma, o estilo de Ben era muito próprio e único, marcando quase sempre pela velocidade e precisão. Se a isso aliarmos um domínio exímio da arte de tuberiding, está explicado o porquê da sua fama e respeito se terem facilmente espalhado pelo globo.

Quem não recorda os seus fantásticos cutbacks com ambas as mãos no nose? Os 360 rapidíssimos antes de entrar nos tubos? Os incríveis aéreos? Ou até mesmo o famoso stall como a imagem em cima tão bem representa?

Simplesmente clássico… mas ao mesmo tempo algo que ainda hoje recordo com sendo claramente inovador.

Ele foi ainda o primeiro atleta a derrotar Mike Stewart em Pipeline e a desafiar a sua hegemonia, tornando-se campeão mundial em 1986. A rivalidade entre estes dois é bastante conhecida, e, por incrível que pareça, ajudou a escrever títulos, a manter a comunidade interessada e a fazer crescer o desporto durante mais de uma década.

Em todo o caso Ben Severson destacou-se também no design e no shape de pranchas, não só na BZ mas também na BSD (Ben Severson Design) que formou por conta própria nos anos noventa.

Conhecido por viajar sempre com vários bodyboards no saco, cada um deles preparado para diferentes condições (não só de ondas, mas também de clima), a ele podemos atribuir algumas inovações como, por exemplo, a introdução de canais ou a criação dos Transitional e Rounded Rails.

No caso dos canais a aceitação foi tão forte – e fez tanto sentido – que o seu uso hoje em dia, como se sabe, é absolutamente corriqueiro.

Além disso, esteve ainda na génese da incrível T-10 e dos seus Diamond Rails em slick skin (ver imagem), um dos modelos mais populares de sempre na BZ. Ainda na marca norte-americana lançou uma linha assinada e numerada com 999 unidades, o que lhe conferiu uma criatividade adicional.

As suas pranchas eram realmente diferentes, grandes, retas e de nose largo. Ele foi o segundo na história do desporto a lançar um Signature Model (o primeiro foi Jack Lindholm) e muito provavelmente um dos primeiros a surfar em Teahupoo.

Atualmente vive em Makaha, na costa oeste de Oahu, é nadador-salvador e no seu tempo livre continua a trabalhar a BSD onde já só faz customs. Neste momento está fortemente ligado à IBA Hawaii e de tempos a tempos podemos vê-lo como juiz internacional nos eventos de bodyboard.

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