Joel Rodrigues, natural da Póvoa de Varzim e de apenas 15 anos, é já um nome sobejamente conhecido para quem acompanha a competição entre as camadas mais jovens. O atleta do Clube Naval Povoense teve um domínio absolutamente impressionante em 2019. Falámos com ele para perceber o que nos reserva o futuro. 


Para começar vamos pedir que nos fales um bocadinho das tuas origens. Como começaste no Bodyboard? Quais os bodyboarders que te influenciaram? Quem te levou a praticar este desporto e também como é a rotina do teu dia-a-dia?

Comecei na antiga escola de surf e bodyboard do meu tio, Sérgio Rodrigues. Primeiramente experimentei o surf, que foi praticando, mas depois, passado pouco tempo, decidi experimentar o bodyboard e descobri que este era o meu desporto. Com alguns meses de bodyboard fui às captações do Clube Naval Povoense, pois queria ingressar na competição.

Quando comecei a ver bodyboard, os bodyboarders que me chamaram mais a atenção foi o Pierre-Louis Costes e Ben Player, e, a nível nacional, o Tiago Silva “Moita” (N.R.: Atualmente seu treinador) foi uma grande referência para mim. Neste momento o bodyboarder com que me identifico mais é o Lewy Finnegan.

A minha rotina diária passa por ter aulas de manhã, treinar na hora do almoço, mesmo tendo apenas dois tempos para almoçar, sempre que tenho oportunidade, independentemente das condições do mar. Quando tenho a tarde livre costumo surfar mais tempo. Isto só é possível, porque tenho os meus pais sempre disponíveis. Sábado e domingo são dias para treinar em equipa. No resto dos meus tempos livres aproveito para divertir-me com os amigos, porque também é importante.

Acho que o futuro do bodyboard português está em boas mãos.

Foste dominador esta temporada, tendo vencido todas as etapas em Sub-16 e em Sub-18 só não venceste a última, apesar de teres ido à final. Que resumo farias de 2019, não só a nível de Circuito de Esperanças mas de uma forma geral?

2019 foi um ano incrível no domínio desportivo. Sem dúvida, o meu melhor ano desportivo. Consegui repetir o feito do ano anterior, que foi ser campeão nacional em duas categorias (Sub-14 e Sub-16), e ainda consegui conquistar 14 vitórias seguidas em eventos nacionais. Acrescentando a estes resultados também venci a Taça de Portugal pela terceira vez consecutiva, desta vez em Sub-18, e no Nacional Open consegui ficar no top 8 do ranking final. Além das conquistas nacionais, consegui ficar em 5.º lugar no ranking mundial Pro Junior. Também no Circuito Europeu comecei muito bem ao vencer a 1.º etapa, na Pro Junior, e agora tudo se irá decidir na última etapa em Marrocos.

Só para não falharmos a conta, quantos títulos nacionais somas já sob a tua alçada?

No total tenho 5 títulos de campeão nacional nas camadas jovens e 3 Taças de Portugal.

2019 foi um ano incrível no domínio desportivo. O meu melhor ano desportivo. 

O que dirias que o Nacional de Esperanças tem de positivo, que não alterarias, e o que está em falta?

O Circuito Nacional de Bodyboard Esperanças tem vários pontos positivos, nomeadamente, as praias onde têm lugar as etapas, que oferecem boas condições para a realização das mesmas, os competidores que proporcionam nível na competição e tal como os treinadores e todas as pessoas envolvidas que contribuem para o bom ambiente que se vive nas provas. Este circuito não tinha muita divulgação até que a Bboardtv pegou nele e tem vindo a fazer um trabalho incrível na sua divulgação. O único ponto negativo que encontro, é que gostava de ver mais gente a assistir.

Ao nível de bodyboarders da nova geração, que estão a surgir em Portugal, quais os que gostas mais de observar e te parece que poderão vingar competitivamente?

Acho que o futuro do bodyboard português está em boas mãos, temos muitos atletas que podem dar cartas. Os atletas mais jovens do que eu que neste momento me parecem bastante promissores são o Francisco Ferreira, que desde sempre tem mostrado grande nível de surf; e o José Mano, que tem um surf consistente e tem evoluído bastante. Na minha opinião, ambos têm grandes probabilidades de vingar. 

Recuemos até setembro e ao Mundial Pro Junior em Viana do Castelo, onde recebeste um “wildcard” e foste o melhor atleta português em prova, tendo alcançado os 1/4 de final. Sentes que poderias ter chegado mais longe? 

Sim, senti que poderia ter chegado à final, mas ainda não foi desta. Em todo o caso, classifico a minha participação como positiva. 

(…) dentro de 3-4 anos, quero assumir-me como candidato ao titulo nacional.

Por que praias costumas treinar? Tens um plano de treino?

A praia onde surfo maioritariamente, de forma mais regular, é a da Salgueira. No entanto, também costumo surfar na Praia do Rock, Aguçadoura e em Mindelo. Não tenho um plano de treino especifico, entro em quaisquer condições de uma forma séria.

A teu ver, qual a melhor onda de Portugal? Aquela que apresenta as melhores condições para a prática de Bodyboard? 

Para mim, a melhor praia de Portugal para a prática é a Praia da Empa, na Ericeira. Gosto de todos os picos de lá, mas as minhas ondas favoritas são o Reef e a Pedra Branca, pois têm muito power e são muito cavadas. Ondas ideais para o bodyboard!

Relativamente ao futuro, que planos tens em mente? Quando pretendes fazer o assalto ao nacional open?

Os meus planos para o futuro, ainda enquanto júnior, são ser campeão europeu e mundial Sub-18. Em ambos os circuitos ainda tenho três anos de competição pela frente. No que toca ao Nacional Open, dentro de 3-4 anos, quero assumir-me como candidato ao título.


Fotografia arquivo pessoal: Higher Visuals, Nuno Alves & Nuno Lopes

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