Comemorou-se no passado sábado o 6.º aniversário da Ericeira WSR – World Surf Reserve. O texto que se segue foi publicado originalmente na Vert nr. 106 (Outono de 2011) e escrito por Hugo Rocha Pereira.

Como muitos já devem saber, fica na Ericeira a segunda Reserva Mundial de Surf. Numa faixa entre as praias da Empa e de São Lourenço estão sete maravilhas de características únicas (Pedra Branca, Reef, Ribeira d’Ilhas, Cave, Crazy Left, Coxos e São Lourenço) que fazem as delícias de bodyboarders nacionais e dos cinco continentes.

 Afinal de contas, o que é uma Reserva Mundial de Surf? 

A organização não governamental Save The Waves Coalition criou este conceito que pretende promover e preservar ondas ou faixas costeiras de excelência para a prática dos desportos de ondas, demonstrando à comunidade internacional o seu valor em termos ambientais, sociais, culturais e económicos. Algo semelhante ao que Unesco faz ao classificar locais do planeta como Património da Humanidade.

Na altura, só existiam mais três Reservas Mundiais de Surf: Malibu e Santa Cruz, nos EUA, e Manly Beach, na Austrália. A estas seguiram-se Huanchanco (Peru), Todos os Santos (México), Punta de Lobos (Chile), Gold Coast (Austrália) e Guarda do Embaú (Brasil). 

Para se receber este estatuto é necessário que uma candidatura seja apresentada pelas respectivas federações nacionais de surf, ONG’s do ambiente, municípios locais ou indivíduos. Posteriormente, o Conselho Visionário da World Surfing Reserves verifica se os quatro requisitos básicos para a aprovação (alta qualidade e consistência da onda ou faixa costeira; caracterísitcas ambientais da orla costeira circundante; riqueza da cultura de surf e História da zona; e forte apoio da comunidade local) se encontram reunidos e dá o seu veredicto sobre a pretensão.

“Não fixei todos os nomes das boas ondas que surfei na Ericeira, mas lembro-me que era uma espécie de parque de diversões aquático”, disse Mike Stewart na altura. 

O potencial que esta distinção encerra será determinado pelas ações tomadas em concreto. Miguel Barata, do Ericeira Surf Clube, considerou na altura que “As entidades públicas poderão implementar regras de ordenamento territorial na orla costeira e divulgar a região pelo mundo. Já os privados poderão aproveitar o balanço proporcionado pela vinda de mais turistas”. 

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