Desde a sua formação que o Pride Training Club seguiu um dos seus objetivos primordiais: fornecer as ferramentas necessárias para que os atletas evoluíssem na vertente free surf. É que nem todos os os alunos são vocacionados para a competição e, embora exista uma grande veia competitiva em alguns deles, o que se passa é que muitos só pretendem evoluir no free surf. Um atleta completo é aquele que compreende as duas vertentes.

Assim, num certo dia da passada temporada de inverno, o Pride Training Club levou dois dos seus alunos a uma onda muito especial. Uma onda inconsistente, de risco e nível técnico muito elevados. Cumpridos os objetivos dos alunos, foi hora de cumprir com o nosso também, ou seja, dar a conhecer mais sobre o que é realmente o bodyboard para esta nova geração de riders.

Como se sentiram quando perceberam que iam enfrentar esta slab? 
Francesco Serrão (17 anos, Lisboa): Nos últimos meses ouvi falar muito desta onda pelas experiências que o Tó Cardoso e o Hugo Macatrão me contavam. As descrições desta slab, que é o tipo de onda que mais me atrai no bodyboard, eram incríveis e deixavam-me com uma vontade enorme de lá surfar… mas ao mesmo tempo com alguma ansiedade. Quando o Tó me disse que as condições iam estar perfeitas senti um bichinho que acordava, como que a preparar-se para enfrentar aquela onda. Percebi que ia ser a melhor sessão em que ia estar envolvido até a data. 

Já alguma vez surfaram condições extremas?
Pedro Veigas (15 anos, Nazaré): Quando falavam em boas condições tinha sempre a possibilidade de dizer que já tinha estado a surfar na Praia do Norte, mas quando ouvi falar em ondas com fundo de pedra apercebi-me que ainda tinha que descobrir, pois são estas significam realmente boas condições! Acho que nunca tinha estado perante ondas tão perfeitas e perigosas até ter surfado nesta slab da costa oeste, nem em ondas mais fáceis na Ericeira nem mesmo na Praia do Norte.

Partilhem connosco a sensação desta sessão…
Francesco Serrão: Arranquei com o Tó ainda de noite e chegámos a esta pequena vila com os primeiros raios de sol a dar sinal. A maré ainda tinha que vazar muito, mas o potencial da onda já era alto. Entretanto, com a chegada do resto da crew já rolavam as bombas mais perfeitas que alguma vez tinha assistido. O power da onda era incrível. Eu e o Pedro estávamos malucos com o espetáculo e também cada vez mais nervosos. Entrámos na água e a chegada ao pico até foi rápida com ajuda das correntes e aí, ao vermos as cavernas mutantes e os seus grandes bafos, gritámos de felicidade!

Conseguiriam enfrentar a onda sozinhos sem o apoio de outros?
Pedro Veigas: Acho que era impossível tomar a iniciativa de ir surfar esta onda sem a ajuda e o incentivo do Tó e do Hugo, mas quando soube que o Francesco ia, e sendo ele um grande amigo e um bodyboarder muito parecido comigo, fiquei motivado. Ter alguém da nossa idade a surfar ondas tão perigosas junto a nós dá-nos coragem para nos atirarmos àquele tipo de mar.

O que mudou no bodyboard depois desta sessão?
Francesco Serrão: Depois desta sessão senti que a minha perspetiva e noção relativamente ao bodyboard alterou-se. Ao enfrentar esta slab superei limites, senti emoções fortes e, sobretudo, percebi que o bodyboard passa pela procura destas ondas que exigem o melhor de cada bodyboarder. Foi, sem dúvida, a melhor experiência que já tive e espero poder superá-la com mais sessões em outras ondas.
Pedro Veigas: Depois desta sessão a minha perspetiva em relação ao bodyboard mudou muito, pois enquanto para muitos o bodyboard não passa de manobrar e surfar mar pequeno, eu apercebi-me que este passa por conviver com os amigos dentro de água, surfar todo o tipo de condições em todo o tipo de ondas para que estejamos prontos para qualquer desafio. Trata-se de desfrutar da vida ao máximo enquanto bodyboarders, porque esta é feita de emoções fortes que podem ser alcançadas precisamente numa sessão como esta!
 
Nota: Peça produzida integralmente por Tó Cardoso, ao qual agradecemos vivamente pela disponibilidade e tempo despendido na sua produção.


Fotografia: Hélio António (imagens aquáticas), Máquina Voadora (imagens aéreas) & Pedro Miranda (imagens de terra)

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