O Circuito Nacional de Bodyboard Crédito Agrícola chega à quarta e derradeira etapa, na Póvoa de Varzim, com o título masculino entregue a Daniel Fonseca, mas com a decisão do título feminino em cima da mesa e a campeã nacional em título, Joana Schenker, a reeditar mais um duelo com a sua rival de vários anos, Teresa Almeida.

Uma campeã mundial do circuito profissional, Schenker, terá de dar o seu melhor para suplantar a antiga campeã mundial da International Surfing Association, Teresa, num local em que não se realizam provas do Circuito Nacional há cerca de 20 anos.

Ingredientes de luxo para um espetáculo competitivo que fará história, tal como o próprio circuito, a única prova de bodyboard desta dimensão em todo o Mundo, num ano em que o próprio circuito mundial não existiu enquanto tal.

Teresa Almeida é a primeira a sublinhar a importância deste evento, realizado em características únicas: “Este ano, mais que nunca, tenho vontade de ter bons resultados. Por ter o meu patrocinador principal, o Crédito Agrícola, a patrocinar o circuito, por termos melhores condições em todos os aspetos da prova, e porque ganhar num ano destes, tão atípico, tão difícil para todos, seria ainda mais especial, mais marcante. Este é o ano que considero da viragem positiva do Bodyboard em Portugal.”

Joana Schenker, por sua vez, garante estar refeita da eliminação que sofreu na terceira etapa, em Peniche, assumindo o erro que facilitou o seu afastamento, nas meias-finais, e impediu a revalidação do título depois de duas vitórias em outras tantas etapas (Santa Cruz e Nazaré).

“O heat de Peniche foi um pouco estranho. Decidi apostar no outside e insisti ali numa altura em que as ondas começaram a dar mais perto da areia. Depois reagi tarde e a Mariana [Rosa] apanhou uma onda a 10 segundos do fim e virou a bateria. Foi um erro tático e um péssimo resultado. Um quinto lugar que foi o meu pior resultado no Nacional desde 2014. Foi um lapso que abriu a porta à Teresa e agora tudo está mais interessante”, diz.

Cenários na corrida ao título:

  • Se a Teresa vencer a etapa e a Joana ficar em 2.º, ganha a Teresa (no desempate com a 4.ª etapa);
  • Se a Teresa ficar em 2.º e a Joana ficar em 3.º, vence a Joana por 12 pontos;
  • Se a Teresa ficar em 3.º e a Joana ficar em 4.º, vence a Joana;
  • Se a Joana fizer melhor que a Teresa vence automaticamente;
  • Se a Filipa Broeiro vencer e a Teresa fizer 3.º e a Joana 4.º, vence a Filipa.

Com o título masculino decidido, restam agora pontos de honra, como os do local da Póvoa de Varzim Ricardo Rosmaninho que, em 2019, foi um dos candidatos ao título e que este ano ocupa o nono lugar do ranking.

“Este foi um ano estranho para mim. Demorei a encontrar o meu ritmo, demasiado ansioso nos meus heats. Em Peniche estava mais calmo, mais focado, mas fui penalizado com uma interferência nas meias-finais e não pude ir mais longe”, assume Rosmaninho, que faz um raio-x à onda da Praia da Salgueira onde, em princípio, se realizará a competição: “É uma onda para a esquerda, de fundo de pedra, com um reef lá fora que depois desenrola mais perto da areia e dá as principais secções. Não é uma onda fácil de ler. Quem surfa ali regularmente já lhe conhece as manhas, mas entre os principais atletas do Nacional, temos o Manuel Centeno que também já surfou ali muitas vezes em regionais e conhece bem.”

Quanto aos objetivos do bodyboarder do Clube Naval Povoense, esses são bem claros e passam por ganhar a etapa, “dar essa alegria ao pessoal da Póvoa e a todos os que me apoiam.”

Há 20 anos que a Póvoa de Varzim não recebia uma prova do Nacional de Bodyboard. xxx

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