O spot da Maia, uma das melhores ondas de fundo de rocha de São Miguel para a prática de Bodyboard, está em perigo e corre mesmo o risco de desaparecer. De acordo com uma notícia publicada pelo jornal Açoriano Oriental (aqui), na passada terça-feira, “No caso da Maia, a Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia tem prevista uma intervenção de proteção da orla costeira e os procedimentos de contratação vão arrancar na próxima semana.”

A decisão é claramente contraditória ao que foi revelado pelo Governo Regional, no passado mês de abril, onde a prioridade passava por “Defender as ondas [açorianas] colocando-as no mapa.”

Mesmo sabendo que as ondulações fortes têm levado ao recuo sucessivo da arriba, onde existem várias casas e o bar da praia é muitas vezes atingido, a comunidade surfista local teme agora que a obra possa alterar ou até mesmo destruir este que é um recurso natural da ilha, traduzindo-se assim num prejuízo desportivo, cultural e turístico incalculável.

Quer o surf quer o bodyboard estão longe de serem praticados apenas em praias de areia e a Maia sempre foi uma onda singular a nível internacional podendo contribuir para fazer de São Miguel e dos Açores um destino de ondas de qualidade mundial.

Rabo de Peixe, um dos melhores spots da Europa, também acabou devido às sucessivas intervenções no porto/marina. O pico de Santa Catarina, na Ilha Terceira, onde já foi realizado um campeonato mundial, esteve para acabar, mas graças ao esforço da comunidade local foi salvo atempadamente.

São/eram estas as três pérolas açorianas que faziam toda a diferença. Neste caso não há lugar a experiências, arrependimentos e decisões tomadas de ânimo leve.

Nota: Última atualização (29/10/2015, 18:05) refere que a intervenção não põe em causa a qualidade da onda uma vez que será realizada a montante desta, nas arribas. Resta agora esperar que esta solução resolva o problema e que o projeto para a zona seja dado a conhecer à comunidade.


Fotografia: Ricardo Amaral | Rider: João Braga

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