Uma peça recente publicada na Surfer Magazine despertou a nossa atenção. Nela falava-se do aquecimento dos Oceanos que este ano voltou a atingir números recorde.

Na Califórnia, ao longo do verão, os surfistas gozaram da água mais quente desde que há memória. Até em São Francisco, onde a água é notoriamente fria e gelada, tem sido possível surfar de fato curto desde julho. Algo raro por estas paragens e que tem deixado muita gente com a pulga atrás da orelha.

A confirmação do fenómeno surgiu há poucos dias pela entidade norte-americana NOAA (The National Oceanic and Atmospheric Administration), que compila e estuda dados desde 1880, referindo que as águas dos Oceanos nunca estiveram tão quentes, batendo um novo recorde em agosto.

Entre a comunidade científica americana especula-se agora se o efeito El Niño se manterá até ao final do ano ou se, tendo em conta estes novos dados, teremos um ano de 2015 ainda mais quente pelo Pacífico.

Por cá o fenómeno também não passou ao lado e não é segredo que a água do mar tem estado para além de quente nas últimas semanas. Diríamos mesmo, uma “sopa”, tão quentinha que um simples 3/2mm por vezes é demasiado.

Com exceção do frio verificado nas águas da costa algarvia, nos meses de julho e agosto, onde os valores médios rondaram este ano os 17 graus em vez dos habituais 20-21 graus, é seguro afirmar que, em geral, a costa ocidental portuguesa também tem apresentado águas mais quentes.

A explicação é simples. Por um lado temos os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera que confirmam que o Oceano Atlântico atinge valores mais elevados entre setembro e outubro.

Por outro, os ventos predominantes de Sul, bem como as ondulações de Sudoeste e Oeste que têm varrido a costa portuguesa nas últimas semanas, fazendo com que o habitual “afloramento costeiro” não tenha lugar.

Ora, se este fenómeno não tem lugar, os valores da água sobem substancialmente, bem acima da média (com as temperaturas a verificarem-se atualmente na casa dos 20 graus).


P.S.: Os valores que se encontram no gráfico não se resumem às temperaturas dos Oceanos. Nele facilmente damos conta que a Terra, no seu todo, também está a aquecer. O que não deixa de ser preocupante.

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