O filmmaker português Nuno Dias e o waterman brasileiro Kalani Lattanzi estão nas bocas do mundo do surf com o primeiro filme da dupla intitulado “Kalani – Gift from Heaven”. 

Nuno Dias, 25 anos, é um homem feliz nos dias que correm. O seu filme “Kalani- Gift from Heaven”, que desenvolveu com o waterman Kalani Lattanzi lidera várias tabelas de plataformas de download em todo o Mundo (Apple TV, Amazon Prime Video, Vimeo VOD, Google Play, Vudu, Playstation e Xbox, entre outras) e tem já vários projetos na gaveta.

“Tenho um irmão mais velho [Paulo] e ele começou por fazer bodyboard e skate. Ele tinha 15 anos e eu 10 ou 11 e adorávamos filmes desses dois desportos. Então chateámos o meu pai para nos oferecer uma câmara e ele deu-nos uma no Natal. Quando o mar estava grande, o meu irmão ia surfar e eu ficava a fotografar e filmar. Foi assim que tudo começou”, conta sobre os primeiros passos na cinematografia.

O hobby rapidamente se transformou em paixão e não era raro o adolescente Nuno Dias recusar saídas à noite para acordar de madrugada e ir filmar. Graças à generosidade dos pais e algumas poupanças, Nuno foi dando passos cada vez mais largos até chegar ao que ele chama um dos pontos de viragem. “Fui o melhor aluno do curso de Multimédia na Secundária e ganhei um prémio de 500 euros que usei para uma viagem ao Havai com o Tó Cardoso, o Miguel e Ana Adão, e o meu irmão. Conheci aí alguns dos melhores fotógrafos e filmmakers de surf do Mundo e isso incentivou-me a levar tudo ainda mais a sério”, recorda.

E “levar tudo mais a sério” conduziu-o à Escola Superior de Comunicação Social onde se licenciou em Audiovisual e Multimédia, mas também à Nazaré, numa altura em que Garrett McNamara começava a colocar a Praia do Norte nas manchetes dos jornais em todo o Mundo. 

“Comecei a parar muito na Nazaré e a filmar ondas grandes, ao mesmo tempo que fazia várias viagens que me deram muita experiência: fui quatro vezes ao Havai, duas vezes à África do Sul, mas também viajei até à Namíbia, Indonésia e Ilhas Canárias, falta-me Austrália e Taiti para ter os principais destinos de ondas”, conta.

Porém, foi na Nazaré e nas ondas da Praia do Norte que conheceu a pessoa mais importante da sua carreira: o brasileiro Kalani Lattanzi. “Já sabia quem ele era, mas conheci-o pessoalmente na Nazaré em 2015 e percebi que tinha ali uma oportunidade de contar uma história única. Tínhamos ambos mais ou menos a mesma idade, estávamos ambos a tentar mostrar o nosso trabalho e demo-nos logo bem. Daí a começarmos este projeto foi um instante.”

Nuno Dias termina por explicar: “O que o Kalani faz é incrível, mas também super específico e difícil de filmar. Acontecia que muitas vezes ele estava em sessões de ondas grandes e ninguém o via. E depois, houve quem me dissesse que ele era ‘um maluco que um dia se ia matar ali’. Era tudo difícil, mas sempre acreditei no sucesso deste projeto e é gratificante ver isso confirmado.” xxx

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