Uma das coisas que sempre me fez alguma confusão foi o elevado custo das pranchas de bodyboard sabendo que são feitas de materiais altamente poluentes e de baixo custo de aquisição.

A justificação é simples: até chegarem ao mercado português são várias as mãos que cruzam e, como é óbvio, todos os intermediários querem ganhar a sua parte no negócio. Quem se lixa, como é sabido, é o consumidor final.

No entanto, no passado sábado, passei pela fábrica da Refresh Boards e acabei por ter aquilo a que se poderá chamar de um “sinal do futuro”. O Gato, shaper que dispensa apresentações, mostrou-me duas pranchas que tem andado a desenvolver. À partida pareciam bodyboards absolutamente normais, mas, quando me aproximei, dei conta que os decks eram feitos de cortiça!

Calma, as pranchas feitas de cortiça, produto do qual Portugal é um dos maiores exportadores mundiais, não são novidade. Há algum tempo que foram apresentadas ao mercado, novamente por um empreendedor português. Porém, combinar a cortiça com os materiais que correntemente são usados na manufaturação duma prancha de bodyboard, confesso: nunca tinha visto.

O seu aspeto era ótimo e, permitem-me que acrescente, francamente apetecível. O bloco e os rails mantêm-se em foam e a slick skin em Surlyn. A grande particularidade, o que chamou a atenção, foi mesmo o deck em cortiça… que é resistente à água (totalmente impermeável).

Se funciona, bem, isso é outra questão, pois a fase ainda é de testes e, para já, ainda não houve quem a experimentasse no Oceano. O preço também ainda permanecesse no segredo dos deuses.

A parceria é feita com a Dodo Cork Boards e tem como grande objetivo o recurso às fontes naturais e sustentáveis, pois a poluição não casa nada bem com as caraterísticas de um desporto como o bodyboard.

Ainda estamos longe, muito longe, mas… será isto o início de uma nova era no bodyboard? A era eco-friendly, verde e amiga do ambiente?

Parece-me que só o futuro o dirá…

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Fotografia: Refresh Boards

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