Fazia cinco anos que a última competição tinha tido lugar na Ilha Reunião, mas a realização de um campeonato para jovens locais, decorrido no passado fim de semana, deu o primeiro passo para o regresso em força desta coesa comunidade de surf francesa.

A prática de surf, bodyboard, outros desportos de deslize nas ondas e até simples banhos de mar, estavam proibidos nos últimos anos. A razão deve-se à forte presença de tubarões naquelas águas, consideradas atualmente como uma das mais perigosas do mundo, e que desde 2011 foram responsáveis por dezasseis ataques a surfistas e banhistas, sete dos quais a revelarem-se fatais. 

A situação atingiu o seu auge em 2013 quando as autoridades oficiais interditaram o surf ao longo de, pelo menos, 50% da linha de costa. Durante esse período de restrição, a comunidade foi devastada com a morte de Elio Canestri, jovem de apenas 13 anos, quando surfava numa zona não vigiada.

Como resolução do problema, ativistas e as autoridades locais optaram por colocar em 2015 duas grandes redes de proteção no mar. Uma tem 700 metros de comprimento e encontra-se em Boucan Canot. A segunda, de 600 metros, está em Roches Noirs.

De acordo com os responsáveis, estas são bastante similares a outras que se encontram em zonas do globo igualmente problemáticas, como a África do Sul e algumas partes da Austrália. Em simultâneo com estas barreiras de proteção, foi também ativada uma equipa de mergulhadores que faz a vigilância, de forma regular, em várias zonas da ilha. As medidas parecem insuficientes, mas sempre são melhores que a alternativa que estava em cima da mesa e que se resumia à chacina pura e dura dos tubarões. 

A controvérsia em torno deste tema, deveras sensível para os habitantes locais, ainda não desapareceu por completo, mas para já fica a notícia de que o surf está de regresso a uma casa que já formou grandes campeões de bodyboard. Amaury Lavernhe (na foto), bodyboarder que faz parte da APB Tour, é um bom exemplo, pois nasceu, cresceu e passou grande parte da sua juventude a surfar por esta fantástica ilha do Oceano Índico.


Fotografia: Raphael Fredefon

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