Uma delegação da União Europeia apelou ontem ao Governo da Indonésia para que continue a “sua longa tradição de tolerância e pluralismo,” após sentença proferida contra o Governador de Jacarta, Basuki “Ahok” Tjahaja Purnama, que foi condenado a dois anos de prisão por blasfémia.

Num comunicado enviado à imprensa, a União Europeia reforça o seu acordo com a Indonésia no que diz respeito a proteger e promover a liberdade de pensamento, de consciência e religião, bem como a liberdade de expressão. A delegação avisou ainda que “leis que punem a blasfémia quando aplicadas de forma discriminatória podem ter um sério efeito inibidor na liberdade de expressão e à liberdade de religião ou crença”. 

Sobre o caso, que durou longos meses e atraiu a comunidade internacional, diz-se que Basuki “Ahok” Tjahaja Purnama foi perseguido por ser cristão e o primeiro não-muçulmano a liderar a cidade. Alegadamente, a causa do processo reside em palavras proferidas pelo próprio contra o Corão. 

“Eu conheço Basuki. Admiro o seu trabalho em prol de Jacarta. Penso que ele não é contra o Islão. Os líderes indonésios devem proteger a tolerância e a harmonia,” disse o Embaixador Britânico Moazzam Malik. 

O Departamento de Estado dos EUA também emitiu uma declaração onde refere que os Estados Unidos se opõem às leis da blasfémia em qualquer lugar do Mundo simplesmente porque estas põem em perigo as bases fundamentais da liberdade. 

Coincidência ou não, a Bolsa de Valores de Jacarta entrou ontem em queda após se conhecer o veredicto de “Ahok”. Muito provavelmente, caso a situação não seja revogada, a longo prazo o turismo também deverá contar com um decréscimo acentuado de visitantes. 

O destino mais surf do planeta a mostrar assim o seu lado mais negro, pondo em causa a liberdade de expressão, a democracia e a crença. 

Afinal de contas, em que século estamos nós realmente? 

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