O quarto dia do Sintra Portugal Pro, etapa do Circuito Mundial de Bodyboard que decorre até domingo na Praia Grande, ficou marcado pela subida da ondulação e condições desafiantes, correspondidas pelos melhores bodyboarders do Mundo com algumas exibições espectaculares e muito sacrifício.

Num dia em que, devido às condições do mar só foi possível fazer a ronda 4 da competição Open, o maior destaque foi para Tristan Roberts (na foto), sul-africano de 20 anos que arrancou a ferros a nota mais alta do evento até agora, um 9,75 num El Rollo aéreo que deixou toda a gente boquiaberta na praia. Se a manobra é das mais básicas do bodyboard, o tamanho da onda e a violência da aterragem justificaram o aplauso unânime dos juízes e do público.

“Fui numa esquerda com o objectivo de atacar a primeira secção da onda, mas vi que estava a desfazer-se e não tinha grande potencial, por isso contornei-a, ganhei velocidade e ataquei uma secção assustadora que apareceu na minha frente”, relatou Tristan Roberts, assumindo ter ficado algo surpreendido com o desfecho positivo da manobra:

“Sabia que era a minha última onda da bateria e resolvi apostar num rollo grande. A aterragem foi pesada e nunca pensei que a conseguisse completar, mas, felizmente, consegui surfar até ao fim. Foi um dos rollos mais pesados que já fiz em competição por isso estou muito satisfeito”.

Entretanto, continua de vento em popa a saga dos bodyboarders portugueses no Sintra Portugal Pro. Apesar da eliminação de Ricardo Rosmaninho, um dos mais consistentes até ao momento, frente a Ian Campbell, líder do ranking mundial, e ao peruano Miguel Rodriguez, o figueirense Miguel Adão, o nazareno André Bernardo e o atleta local da Praia Grande, Miguel Coelho, “sobreviveram” à concorrência e seguem para a ronda 5.

Miguel Adão mostrou-se claramente satisfeito com a sua prestação, que já é o melhor resultado de sempre no Sintra Portugal Pro:

“Estou a superar as minhas próprias expectativas. O ano passado fiz o circuito mundial na íntegra, mas, este ano, Sintra é a minha primeira etapa e estava um pouco nervoso. Felizmente, está tudo a correr bem: as condições estão muito difíceis mas os ‘tugas’ estão em alta, a passar e vamos continuar, sempre a rebentar”.

Por seu turno, Miguel Coelho, que eliminou conceituado marroquino Brahim Iddouch, também está a fazer o seu melhor Sintra Portugal Pro de sempre e atribui o sucesso às muitas horas passadas a surfar numa das suas praias de eleição:

“Estou a fazer o circuito europeu e está a correr-me bem, mas, sinceramente, nem sabia se ia entrar no campeonato. Mas como recebi um wildcard, isso motivou-me a competir. Depois, senti-me confiante porque estou habituado a surfar aqui com mar difícil e estava confortável lá fora. Mas tive de escolher muito bem as ondas porque depois de fazer a primeira onda, voltar lá para fora era extremamente difícil”.

Amanhã, sábado, a ondulação prevista baixa, mas o forte vento Norte promete continuar a dificultar a vida aos competidores do Mundial. A prova termina no domingo. 

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