O Campeonato Nacional Masters estava marcado para este domingo, 29 de outubro, mas eis que ontem surgiu o seu cancelamento oficial por parte da Federação Portuguesa de Surf (FPS), que sanciona o evento, e do organizador, a Associação de Surf Costa de Caparica (ASCC).

O mesmo motivou um esclarecimento por parte de Artur Ferreira, Vice-Presidente da FPS e Responsável pelo Quadro Competitivo Nacional: 

“A FPS vem clarificar alguma confusão e desinformação relacionada com a organização do Campeonato Nacional de Bodyboard Masters.

A questão da promoção dos eventos, é uma lacuna há muito identificada na FPS, e amplamente debatida nas assembleias gerais, reuniões de clubes, etc. Esta é uma lacuna que a FPS tem identificada e para a qual está empenhada na resolução.

Justificar esta decisão com uma promoção insuficiente é intelectualmente desonesto, e não passa de uma “desculpa esfarrapada”.

Se há clube consciente desta lacuna é a ASCC que, há que reconhecer, é dos clubes que mais tem chamado à atenção desta direção para esta questão. Como tal, esta é uma variável para a qual estava perfeitamente consciente. Esta prova contou exactamente com o mesmo grau de divulgação que qualquer outra prova do quadro competitivo nacional. 

Em 2016, esta prova contou apenas com 10 inscritos. Durante o processo de adjudicação da prova, a FPS alertou a ASCC, para a falta de interesse que a última edição deste evento tinha despertado, e dos riscos envolvidos na organização deste evento, em especial na conjuntura actual do Bodyboard Nacional.

A ASCC argumentou que isso se teria devido a falta de divulgação, mas que a ASCC dispunha de uma equipa que dinamizaria o evento, tal como havia feito com o Nacional Masters de Surf, e que estava convicta de que seria um sucesso.

A ASCC é uma entidade experiente, e que seguramente terá analisado o caderno de encargos, realizado uma fundamenta da análise de risco, antes de decidir comprometer-se com a FPS, e atletas na realização desta prova. Mais uma vez, a justificação do cancelamento com base na estrutura de custos do evento é absolutamente inaceitável. Quem lê a sua justificação, poderá ficar com a ideia de que a candidatura à organização da prova terá sido imposta à ASCC. Esta candidatura não só partiu da iniciativa da ASCC, como o seu presidente expressou diversas vezes à FPS, a importância que esta representava no projecto desportivo da ASCC.

Uma vez que nem as lacunas de promoção, nem a falta de adesão, nem os custos do evento, representaram qualquer surpresa para a ASCC, a FPS vê com perplexidade, a desresponsabilização que a ASCC denota na sua justificação para o cancelamento da prova.

A ASCC estava consciente do desafio que a organização desta prova pressupunha, tomou uma decisão objectiva de organizar o evento. A ASCC ignorou os alertas da FPS, não solicitou qualquer informação adicional relativa a número de federados em geral, ou mesmo na faixa etária em questão. A ASCC tratou esta questão com arrogância e soberba, desvalorizou por completo a situação, e correu mal. Agora, alegando surpresa, e num exercício de total desresponsabilização e deslealdade institucional, vem sacudir a “água do capote”. Isso é absolutamente inaceitável.

A ASCC enviou um mail à FPS, informando-a do cancelamento da prova. Esta foi uma decisão unilateral. Em nenhum momento a ASCC pediu apoio, ou tentou solucionar a situação. Quando ainda estávamos a avaliar a situação, o presidente da ASCC, ainda com as inscrições a decorrer, telefonou para a FPS a informar que a FPS tinha uma hora para comunicar o cancelamento, pois mesmo que o evento atingisse o dobro das inscrições da altura, ele não faria o evento. 

Qualquer pessoa mais atenta poderá verificar que a última etapa do Circuito Nacional de Bodyboard Open, que ocorreu há cerca de mês e meio, contou com apenas 29 inscritos. As etapas do ETB em Portugal, na categoria open, com um premiação de 7.000€, contaram com 31-32 inscritos, dos quais 24 Portugueses. Qual seria objectivamente a expectativa da ASCC?

Com esta decisão a ASCC desrespeita os atletas, assim como todos os clubes que cumprem os compromissos assumidos independentemente do número de inscritos. Cada clube é responsável pela sua gestão desportiva, assim como financeira, e a FPS não interfere nas suas decisões. 

A direção da FPS não está livre de escrutínio e criticas, e ainda menos livre de responsabilidades pelas suas opções e decisões.

FPS é responsável pela gestão das modalidades que tutela, é quem estabelece os cadernos de encargos, e embora o modelo de organização de provas do quadro competitivo nacional esteja principalmente assente na cooperação com os clubes, a responsabilidade da organização das provas é nossa, e por isso nos disponibilizámos a reembolsar os atletas em questão.

A FPS deve proteger os clubes seus associados, ainda que por vezes tenha de assumir o ónus publico, de algumas situações das quais tem pouca responsabilidade directa. Por esta razão, comunicámos este cancelamento da forma mais objectiva possível. A nossa política não passa por expor os nossos parceiros desta forma. Sabíamos que não partilhar os detalhes de como chegámos a esta triste situação nos colocava, tal como já aconteceu anteriormente, especialmente expostos a crítica directa e feroz, em particular nas redes sociais, mas há limites. 

Não é a primeira vez que a ASCC procede desta forma. Infelizmente a justificação da ASCC, impunha esta clarificação.

Desejamos toda a sorte e felicidade à ASCC na implementação do seu projecto desportivo, esperamos, que de tudo isto, retire as ilações que achar pertinentes, a FPS não deixará de fazer o mesmo.”

Deixamos também o esclarecimento público feito pela ASCC: 

“Infelizmente devido à falta de inscritos, conforme nos foi informado pela FPS (apenas 10), fomos forçados a cancelar o evento por falta de participação da comunidade.

Como falámos via telefone e por email com a FPS achámos que o problema vem da base e aí achamos que a FPS devia ter um papel ativo na promoção dos eventos que representam e não se fixarem só nos eventos que acham que são prioridade, pois assim acabam por ficar sempre alguns para trás. Como é óbvio este é só um dos muitos problemas que os clubes tem ao organizar este eventos com a FPS.

Todos os custos são atribuídos aos clubes e sendo a maior parte dos clubes activos sem fins lucrativos e difícil termos de perder quase 2000 euros numa prova só para preencher calendário da FPS (licenças, troféus, juízes da FPS, alojamento e alimentação dos mesmos, comunicação, media vídeo, media fotos, camião, segurança, etc.).

Achamos também que a FPS devia ter mais envolvimento nestes campeonatos e não só disponibilizar os eventos para os clubes organizarem, mas também admitirem os erros que fazem quando as coisas não correm bem… não só a nível de promoção, mas também pensarem em contribuir com ajudas de custo para tornarem estes campeonatos mais sustentáveis.

Desde sempre que que transmitimos à FPS que o futuro devia passar por um programa de comunicação forte para todos os eventos e desportos que representam e que assim todos os desportos, clubes, atletas e praticantes estariam a ganhar e certamente havia mais interesse e consequente afluência, não só dos sócios mas também da comunidade, bem como, mais interesse da comunicação social que ajuda no desenvolvimento das modalidades.

Com isto queremos dizer que a ASCC se responsabiliza pelo cancelamento (por falta de inscritos), mas a FPS também se deve responsabilizar pela ausência de promoção e comunicação do evento. Achamos claramente que uma prova nacional com 10 atletas não seria com certeza, uma mais-valia, nem para o desporto, nem para a FPS e clube, nem para os seus praticantes.

Não é a nossa intenção prejudicar os atletas, mas sim promover cada vez mais as modalidades que representamos, mas só o conseguimos com a ajuda e participação de todos.

Aguardamos a vossa participação no próximo fim de semana de 11 e 12 de novembro no mítico evento Horta Memorial. Saudações desportivas!”

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