A Miss Activo Cup 2017 marcou hoje o arranque do Circuito Europeu de Bodyboard feminino e tem para amanhã agendadas as decisões. Depois das primeiras rondas realizadas hoje, amanhã nas meias finais vamos ter as manas Padrela com as duas mais consagradas que estão presentes na competição.

Assim, Teresa Padrela irá defrontar a tricampeã europeia Joana Schenker, que conta ainda no palmarés com a vitória nas três últimas edições da Miss Activo Cup, enquanto a mais nova do clã Padrela, Madalena, irá medir forças com Teresa Almeida (na foto em cima), campeã mundial ISA em 2014.

Esta são as quatro atletas que melhores prestações tiveram no dia de hoje, um dia marcado por um forte vento norte, que, no entanto, não prejudicou em demasia as condições de mar, que, diga-se, estiveram muito razoáveis. Bem, o suficiente para Joana Schenker fazer uma onda que o corpo de juízes atribuiu 9.00 pontos.

O dia de arranque da prova europeia foi dominado pela campeã da Europa em título, que fez os dois melhores scores (14.00 e 13,75 pontos) nas duas baterias que disputou, mas Teresa Almeida também deu um ar da sua graça, depois de uma prestação na prova do Nacional (ontem) menos conseguida. Hoje, a atleta da Nazaré conseguiu os dois melhores resultados (13.75 e 13.50 pontos) e as duas melhores ondas (7.50 e 7.50 pontos), logo a seguir aos dois melhores resultados e às duas melhores ondas do dia de Schenker (9.00 e 8.00 pontos).

Neste despique temos a intrometerem-se as manas Padrela e será interessante ver como amanhã elas conseguem (ou não!) gorar as expetativas das favoritas.

Hoje foram surfadas 66 ondas, ou seja, mais 66 euros a somar ao pecúlio a angariar para o Lar do Divino Salvador (IPSS de Ílhavo que acolhe mulheres em situação de fragilidade social) e que já vai em 221 euros.

Confronto de gerações

Entre as diversas atletas que iniciaram a disputa do Europeu de Bodyboard, prova tutelada pela European Surfing Federation, os quartos de final tiveram um confronto curioso. Com o primeiro lugar da bateria entregue, folgadamente, a Teresa Almeida, a discussão pelo segundo lugar e último que dava acesso às meias finais teve como protagonistas a francesa Stéphanie Hirsch e Madalena Padrela.

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Ora bem, a primeira era, simplesmente, a atleta mais madura em prova, com 38 anos, enquanto a segunda a mais nova em competição, com 13 anos.

E quem levou a melhor? A caçula Madalena Padrela que no final do heat conseguiu ultrapassar a mais velha, cuja idade é mais do que suficiente para ser mãe dela. São 25 anos que separam as duas atletas, no entanto, ambas praticam bodyboard apenas há três anos.

Stéphanie Hirsch, que há três anos vive no Baleal, em Peniche, começou a praticar bodyboard quando veio morar para Portugal.

“Há três anos, no Baleal, o meu amigo Laranja (Hélio Conde) desafiou-me a experimentar o bodyboard, quando eu andava a aprender surf. Então fiz uma troca com ele, ou seja, ele treina-me no bodyboard e eu, que sou fisioterapeuta, trato da preparação física da equipa que ele entretanto criou”, explica, acrescentando: “Comecei a competir porque quero treinar miúdos e acho que é importante conhecer as cambiantes da competição”.

A francesa reconhece ter aprendido muito, pelo que decidiu fazer, pelo menos, mais um ano de competições, sendo que até agora tem participado no Nacional, no Regional e no Masters de bodyboard feminino, tendo logo em 2014 vencido o evento da Boogie Chicks Amador.

Já a mais pequenina Madalena Padrela procura seguir as pisadas da irmã Teresa, afirmando que “o bodyboard é já coisa de família”, estando ainda mais duas irmãs mais novas na calha para no futuro entrarem nas provas do desporto de eleição das manas Padrela.

“Para mim isto é sempre uma aprendizagem. Estou aqui, mais uma vez, para aprender com as mais velhas”, afirma a atleta de Cascais, que na etapa de abertura do Nacional Open, ela que ainda é júnior, alcançou o segundo lugar, na Costa de Caparica, que sublinha: “Isto não é uma obrigação, faço isto por gosto. E gosto muito”.

O facto de ter batido na primeira ronda uma atleta que tem idade para ser mãe dela, é razão de “motivação extra”, ela que ambiciona “ser campeã mundial”. Já a nível interno, os objetivos também são claros: “Ficar no Top 4 tanto do Nacional como do Europeu”. Ora quem fala assim…

Sobre a Miss Activo Cup, Madalena Padrela considera que “é um campeonato muito giro e muito especial”. “Gosto muito de vir cá, porque é um campeonato em que tanto podemos apanhar o mar difícil, mas também um mar perfeito, com boas ondas”.

Já Stéphanie Hirsch, que não logrou passar da primeira ronda pela prestação da caçula Padrela, acha que a Miss Activo Cup, em que se estreou este ano, “é giro por ser só feminino, sinal que as atletas estão sempre em primeiro plano”.

Amanhã é o dia de fecho da 13.ª edição do campeonato mais perfumado do bodyboard mundial, com a realização das baterias decisivas da primeira prova feminina do Circuito Europeu 2017, que segue para a Madeira e depois para Zumaia (País Basco).

Heat 1 das meias finais: Joana Schenker e Teresa Padrela; 

Heat 2 das meias finais: Teresa Almeida e Madalena Padrela.

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