Pela primeira vez, uma equipa de cientistas filmou os tubarões a viajar nos oceanos ao longo de 500 milhas, naquilo que se pode chamar de “autoestrada dos tubarões” do Pacífico. Os planos passam agora por fazer deste corredor oceânico uma área de proteção da vida selvagem. 

Na Costa Rica, há muito que os biólogos seguem os tubarões através de pequenos dispositivos que foram colocados nos animais. Com isso ficámos a saber que os tubarões por vezes viajam até ao sul, até às Galápagos, mas isso nunca foi realmente testemunhado. 

De forma a proteger este corredor oceânico, isso havia que ser documentado, o mais rapidamente possível, através de provas visuais e científicas irrecusáveis. 

Foi então que a equipa decidiu colocar pequenas câmaras na parte traseira de uma das suas embarcações, juntamente com um isco composto de peixe morto e sangue. A equipa chamou a este sistema de BRUVS (baited remote underwater video system). As pequenas câmaras foram arrastadas pela água durante quase duas semanas. 

A equipa esperou e esperou, passou horas a observar as imagens em direto, mas não via nada para além do azul típico do oceano. Até que… de repente, dezenas de tubarões começaram a surgir vindos da escuridão. 

“Foi incrível. Documentámos mais de dezasseis espécies de tubarões e peixes, tartarugas e golfinhos. É realmente surpreendente ver tantos animais”, disse o biólogo responsável pelo projeto, Mário Espinoza. 

Os tubarões dominavam as águas (principalmente tubarões-martelo) e por vezes as imagens revelavam as águas apenas preenchidas de tubarões. O que se testemunhou foi uma contínua romaria de animais marinhos de grande porte. Esta começa na Ilha Cocos, na Costa Rica, e estende-se às Galápagos. 

A rota segue por uma série de montanhas subaquáticas, algumas delas com os picos bem próximos da superficie. Esta foi a primeira vez que se documentou este percurso, mas na verdade falta apurar onde se alimentam os animais, se estão apenas de passagem ou se realmente usam estas montanhas como orientação de navegação. 

Seja como for, é uma forte evidência visual que a zona precisa de ser protegida, mesmo tratando-se de um “corredor”, pois esta é mesmo uma autoestrada da vida marinha com centenas de milhas de extensão. 

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