Ivo Mochacho foi um dos muitos portugueses que marcaram presença na primeira etapa do mundial, em Pipeline. Tivemos conhecimento de algumas situações menos positivas que ocorreram durante a sua estadia no Havai. Fomos saber o que aconteceu...
No geral, o que achaste de toda a estrutura e desenrolar do evento em Pipeline deste ano?
Estrutura não há melhor que Sintra e Confital. Quanto ao desenrolar, este tipo de evento necessita de mais tempo de espera, para ter um melhor desenvolvimento e existir uma igualdade de boas condições, de forma a que todos possam aproveitar para surfar Pipe com tamanho. Pipeline com meio-metro/metro não é o mesmo.
Soube que tiveste uns problemas por causa da inscrição no evento de DK. O que se passou?
Falta de credibilidade, na minha opinião. No dia em que me inscrevi, disse na altura, não tinha dinheiro e garanti que pagava no dia seguinte. Como no dia não houve competição, não compareci na praia, mas a organização estava lá. No dia seguinte lá apareci e queria pagar a dita inscrição. Disseram-me que não podia participar pois os lugares já estavam preenchidos. Enfim, fizeram heats de seis pessoas e, se eu tivesse entrado, faziam heats de 5 e 4... Mas essa não é a principal questão. Eu ia fazer o tour todo completo este ano, porque estava motivado e havia competições marcadas em alturas em que eu podia ir. No entanto, por causa disto, simplesmente perdi a vontade de competir. Inscreveram pessoas à minha frente que não vão sequer fazer o tour...
De alguma forma achaste que os portugueses andaram divididos?
Todos estiveram bem, sempre juntos e bem unidos. Não vi divisão nenhuma. Eu fui para o Havai bem cedo e outro atleta português também... mas não houve divisão. Ficando em casas diferentes, na praia encontrava-se tudo...
No teu heat, no Turbo Pipeline Pro, conseguiste uma pontuação razoavelmente boa, porém acabaste por ficar no terceiro posto. O que achas que correu mal?
Nada correu mal, apenas escolhi mal a direcção para surfar. Num heat de 20 minutos, apanhar direitas, às vezes, pode correr muito bem, outras vezes, muito mal, pois tem que se dar a volta por Pipe. A bateria estava renhida, mas depois uma última onda entrou e um australiano foi nela para que eu não pudesse ir. Se tivesse apanhado essa tinha seguido em frente. Enfim, competição é assim...
Do que assististe, quem foi o melhor atleta na competição?
De longe o Amaury. Mostrou muita confiança, muito à-vontade com a onda, super controlado. Guilherme Tâmega fez coisas que nem sei como as consegue realizar. O Jared Houston estava com alta atitude e power a surfar, sacou uns grandes voos para backdoor, nem sei como não se aleijou a sério. Se tivesse acabado as manobras, tinha ganho. O Cabrera também surfou muito bem.
Fora da competição, sofreste ou viste os tugas sofrerem, de algum modo, com o difícil crowd do Havai?
Sim, quase todos estavam a stressar com o crowd. Mas disse muita vez para eles não pensarem nisso, que estamos no calor, temos água quente, sol, enquanto Portugal está congelado! Tudo na boa, positividade acima de tudo. (risos)
Obrigado Ivo pelo teu tempo e boas ondas para o futuro. Abraço!
por_Ricardo Vieira
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