Apesar de já ter ido algumas vezes para o Peru com intuito de competir nas etapas do circuito mundial de dropknee, já fazia algum tempo que desejava voltar ao país. Por duas razões. A primeira é porque o Peru é atualmente um dos fortes nichos de bodyboarders que ripam em dropknee na América do Sul. A segunda porque já há bastante tempo que alimentava a curiosidade de explorar ondas escondidas pelo meio do deserto.

Saí do Brasil com alguns amigos bodyboarders e marinheiros de primeira viagem naquelas ondas. Encontrei-me com César Bauer, bodyboarder peruano que venceu o circuito mundial de dropknee em 2010 e um bom amigo, com vista a iniciar as sessões de surf e a exploração de alguns secrets espalhados pela costa peruana.

Tenho consciência que, hoje em dia, formamos uma equipa de bodyboarders sul-americanos que colocaram o Dropknee latino em evidência para todo o mundo. Este estilo que antes era praticado unicamente pelos havaianos, australianos e norte-americanos; é hoje em dia também praticado por guerreiros latinos que conquistaram o seu espaço através de muito treino ao longo dos anos. Atualmente, nós latinos, também ilustramos as páginas das revistas pelo mundo assim como ocupamos lugares de destaque nos pódios dos grandes eventos internacionais, seja em dropknee ou prone.

Chegámos no aeroporto de Lima já tarde, por isso dormimos num hotel na cidade e de seguida rumámos para Punta Hermosa, local onde iniciaríamos a nossa jornada. Sempre que estou em Punta sinto-me muito bem, fico hospedado na pousada do amigo Javier Loyasa, em La Rotonda, que fica de frente para as ondas de La Isla. César Bauer já tinha me adiantado dois nomes de fotógrafos que poderiam acompanhar-nos nas sessões de surf, José Barragan e Jorge Herrera, que, além de serem exímios na fotografia, também apresentaram im amplo conhecimento das direções do swell e dos secrets que estariam a funcionar na área. Isso foi essencial para termos surfado muitas ondas sem crowd em muitos spots.

A partir daí iniciou-se uma verdadeira peregrinação atrás de ondas. Alugámos um carro, que mesmo sem ser um 4×4, mostrou-se ideal para o relevo e o deserto, e iniciámos a nossa jornada pelas conhecidas ondas de Punta Hermosa, Caballeros, Señoritas e El Paso, seguindo depois vários quilómetros à procura dos picos que realmente fomos explorar, sem crowd e com ondas perfeitas .

Para o sul, pela Panamericana, saímos de madrugada e percorremos uns 400 km em direção ao porto para explorarmos umas ilhas a uma hora de barco da costa que tinha uma direita perfeita com um visual surreal. Outra sessão clássica foi em Puerto Nuevo, ao lado de Puerto Viejo. Uma onda totalmente triangular e muito frequentada pelos bodyboarders locais. Vale realçar também os picos a norte de Lima nas imediações do quilómetro 160, numa área desértica com uma quantidade enorme de beach breaks e reefs breaks com várias direitas e esquerdas solitárias.

As fotos ilustram um pouco do que foi a expedição pela costa peruana. Obrigado à Maresia, Red House Sports, Kpaloa, BZ Bodyboards, Nativus Suplementos e The Pit Surfstation Bali por todo o apoio prestado.


Texto: Marcelo Gomes | Fotografia: José Barragan & Jorge Herrera

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