Hélio António tem bem presente na mente a fotografia de sonho: um tubo de direita na Praia do Norte captado a partir da retaguarda do rider na onda enquanto a paisagem do farol e do promontório pinta o cenário. “Dificuldade ninja, mas não impossível”.

O fotógrafo natural da Nazaré de 35 anos lançou-se à cultura da fotografia de bodyboard há oito e desde então evoluiu nas exigências pessoais para conseguir as melhores fotografias de boogie possíveis. É por isso que, desde há um par de anos, se dedica igualmente às fotografias dentro de água, uma forma de explorar novos ângulos e de estar em comunhão com a natureza, o tema fotográfico que faz questão de representar nas suas chapas.

Na segunda entrevista e galeria da série “Boogie Frames”, que dá a conhecer algumas figuras por detrás das lentes que captam os melhores momentos de bodyboard um pouco por todo o país, Hélio António partilha quinze emblemáticos momentos do seu arquivo pessoal.

 

Quando e por que é que começaste a fotografar bodyboard?
Comecei em 2005 quando comprei a primeira DSLR (Digital Single-Lens Reflex Camera). A escolha de fotografar bodyboard foi óbvia: é o desporto que mais gosto e não há nada mais belo que uma onda perfeita.

O que têm a fotografia e o bodyboard que te atraem?
Adoro ver fotos de mar clássico. Sou capaz de ficar a olhar para a mesma imagem durante um bom tempo, a imaginar como seria apanhar aquela onda. No fundo, uma fotografia de uma onda é uma oportunidade de sonhar acordado. Já o bodyboard é a forma mais lógica de usufruir o melhor que a natureza nos dá e quando é praticado por excelentes atletas em excelentes ondas é o desporto mais incrível que existe.

Que outras paixões tens e de que modo se refletem no teu trabalho?
Adoro ouvir boa música e tocar viola. Adoro também tudo o que é natureza: animais, paisagens e céus. A minha derradeira paixão é estar numa ilha tropical com areia branca e água límpida de cor azul-turquesa. É esta paixão pela natureza que me faz fotografar.

O que é que te influencia?
O que me influencia mesmo é a beleza natural. Olhar para uma onda perfeita e querer estar lá a registar o momento. Depois há os fotógrafos que mais admiro: Chris Burkard, Morgan Maassen, Sarah Lee, Sacha Specker e Laurent Pujol.

O que é que te dá mais pica de fotografar no bodyboard?
O que mais gosto é de estar dentro de água e fotografar um grande tubo, de preferência com um amigo na onda. É quase como se fosse eu a surfar.

Quem é o teu rider favorito de fotografar e porquê? E onda?
Quem mais gosto de fotografar é o António Cardoso e o Dino Carmo porque eles partem a loiça e sabem o que fazer para conseguir boas imagens. A linha de onda deles nos tubos não levanta água nem salpicos que tantas vezes estragam as fotos.
A onda que mais gostei de fotografar até ao momento é na Nazaré, mas só funcionou apenas um par de dias. Estava com água pela cintura, num sítio mágico a ver a malta apanhar grandes triângulos. Foi perfeito!

Onde publicas e partilhas o teu trabalho?
Partilho na minha página do Facebook e também na rede social de fotógrafos 500px.

Fazes bodyboard?
Faço bodyboard há 17 anos e não há nada que se lhe compare. Praticar este desporto é uma enorme mais-valia e não é por acaso que há muitos bodyboarders a conseguir excelentes imagens. Saber a dinâmica da onda e onde se tem de estar, perceber a intenção do rider, manter a calma quando se leva com um set em cima, etc. Tudo isto vem da experiência de se praticar bodyboard.

Descreve-nos o que seria para ti a chapa perfeita de bodyboard.
A chapa perfeita é dentro de água numa direita na Praia do Norte, num dia de Sol, água esverdeada e limpa. O bodyboarder está dentro do tubo e a fotografia é tirada no ângulo atrás dele. Por ser direita vê-se o farol e o promontório no fundo do tubo e sabe-se que é na PN. Dificuldade ninja, mas não é impossível.

Comentários