O sul-africano Tristan Roberts, campeão mundial Pro Junior em 2014, é um dos bodyboarders que está a levar o bodyboard ao topo. De patrocinador novo, a Wildsuits, está neste momento a empreender a sua primeira surf trip pelas ondas portuguesas. 

Fotografia: André Hilário (ação) & Tomané (rosto)


Tristan, porque escolheste vir a Portugal? 

Sempre adorei Portugal, as ondas são boas, as pessoas são simpáticas e os beach breaks fazem-me lembrar a minha casa. Porém, em Portugal a variedade em termos de ondas é ainda maior e a melhor parte é que é super consistente. Nunca tinha vindo a Portugal para fazer free surf, vim sempre em competições da APB Tour. Desta vez quis vir sem o stress da competição e aproveitar o tempo só para surfar e sair com amigos. Acho que as pessoas não tem noção de como o mar aqui é consistente. Tenho tido boas ondas quase todos os dias. O meu corpo está dorido de tanto surfar, que é a melhor sensação de sempre. Até queria ter ido comemorar o carnaval, mas todas as noites quando chegava a casa depois do surf e olhava para o Maxime Castillo, estávamos os dois sempre demasiado cansados para ir onde quer que fosse. (risos)

O que nos podes dizer sobre a diversidade de ondas em Portugal?

A diversidade é incrível. Achava que vinha surfar na Nazaré e talvez passasse pelos Supertubos. Afinal, ainda nem sequer passei pela Nazaré desde que cheguei e já estive duas vezes nos Super. O resto do tempo temos encontrado ondas em spots onde o vento está offshore. É assim que se faz aqui. Se está offshore e houver swell, basta conduzir um bocado por essa zona e, sem dúvida, acabas por encontrar ondas para surfar. É ótimo porque estou a 1 hora de avião de Franca, posso ir lá surfar durante uma semana e voltar para Portugal para apanhar mais ondas. E tão fácil viajar a partir de Portugal, que se não estivesse bom aqui, sabia que podia continuar atrás de ondas noutros destinos. A verdade é que não foi preciso e estou super feliz com a minha surf trip por aqui. Parece-me o sítio certo para treinar antes da competição e de certeza que não é a última vez que venho a Portugal. 

“Acho que as pessoas não tem noção de como o mar aqui é consistente”

Qual foi o melhor momento que tiveste dentro de água durante esta surf trip?

O melhor momento foi, sem dúvida, no outro dia, partilhar as ondas com os locais e toda a gente ser tão amigável em Peniche. As ondas estavam a bombar, estava imenso crowd e os locais viam-me à espera da minha vez e diziam: “Tristan, queres ir?” Para mim, é gratificante saber que, se esperares pela tua vez e fores respeitoso, os locais vão ver isso e partilhar as suas ondas perfeitas contigo. Eu voltava de uma onda e todos me perguntavam como foi! É muito bom surfar com bodyboarders assim. Toda a gente estava feliz por estar na água. Quando as ondas estão incríveis e toda a gente se está a divertir, esses são os dias que te fazem sentir orgulhoso de ser bodyboarder. Obrigado por este dia memorável, vocês sabem quem são!

Que manobra treinaste mais em Portugal? 

A minha manobra favorita neste momento é o Air Reverse. Tenho aproveitado todas as oportunidades para a treinar em Portugal. Estou a adorar aperfeiçoar os meus air reverses. Conseguir fazê-los em ondas difíceis é uma sensação incrível. Também acho que o air reverse é das melhores manobras para se assistir. Pode parecer tão simples e fácil, apesar de ser um movimento tão técnico. 

O ano passado terminaste em 5.° lugar na APB e ganhaste alguns eventos. Quais são os objetivos para 2019? 

Terminei em 5.° na APB Tour em 2018 e ganhei também alguns eventos, para além de ter conseguido o 2.° lugar no Brasil e 3.° na Nazaré. Foi o meu melhor ano no Tour e deu-me incentivo para ir ainda mais longe em 2019. Adoro competir na APB e vestir a licra nas competições é sempre um momento excitante. O meu objetivo é manter o momentum que tive o ano passado e focar-me em cada evento individualmente e dar o meu melhor em cada um deles. Quero ser campeão do mundo e vou trabalhar arduamente para isso.

“Quando as ondas estão incríveis e toda a gente se está a divertir, esses são os dias que te fazem sentir orgulhoso de ser bodyboarder”

Como vês o bodyboard daqui a uns anos? 

Com este desporto é tão difícil de dizer. Acho que precisamos de continuar a surfar ótimas ondas para criar boas imagens, expôr o bodyboard às novas gerações e apoiar a APB. Temos que nos manter unidos para expôr o nosso desporto da melhor forma possível e não agir individualmente para nosso próprio interesse. Se fizermos isso, tenho a certeza que vamos ver o bodyboard crescer nos próximos tempos. 

Fora do bodyboard, o que nos podes contar sobre ti?

Sou apenas um rapaz de 22 anos apaixonado por ondas. Quero surfar o máximo que conseguir e aproveitar para viajar e conhecer novos sítios. Comecei a viajar desde os 15 anos e vou estar sempre muito agradecido por todas as oportunidades que tive de o fazer. Para além disso gosto de treinar, jogar futebol com amigos, pescar, praticar artes marciais e boxe. Tento ter uma vida equilibrada, passo tempo com a minha namorada e família e não me foco apenas no bodyboard, o que fica muito difícil quando as ondas estão tão boas. (risos)


EN //  South African Tristan Roberts, 2014 Pro Junior World Champ, is one of the riders that is pushing the bodyboard scene to the top. Carrying a new sponsor, Wildsuits, he is actually shredding the Portuguese waves for his first free surf trip around Portugal. 

Tristan, you have been cruising in Portugal those last weeks, why did you choose to come to Portugal? 

I have always loved coming back to Portugal, the waves are good, people are friendly and it feels a lot like home with all the beach breaks. But in Portugal you have more of a variety in terms of waves and the best part is, is that it’s super consistent. I had never been to Portugal to free surf, it was always when I was competing on the APB tour that I would find myself here. I wanted to come with no stress of competitions and just really enjoy my time here by riding waves as much as I can and hang out with friends. I feel like people don’t actually know how consistent it is here. I’ve been in the water getting good waves almost everyday. My body has been sore from riding so many waves and that’s the best feeling ever. Being surfed out. I wanted to join in on the festivities at the carnival, but every night I’d get home after a surf and look at Maxime Castillo and we could both tell that we were too tired to go anywhere haha.

Could you tell us a bit more about the diversity of waves in Portugal ?

The diversity is incredible, I was thinking I was coming to surf the infamous Nazaré and maybe on the odd day head to Supertubos. Turns out I haven’t even surfed Nazaré yet since I’ve been here and I have surfed Supertubos twice. The rest of the time we have been finding some waves at random spots where the wind is offshore. That’s all you do here, if the wind is offshore and there is swell, you drive to around in that area and you definitely finding waves to ride. It’s crazy cause you can jump on a plane for just more than an hour and head to France like I did for a week, get waves there and then just come right back to get waves here again. It’s so easy to travel from Portugal to other top destinations in the world that if it really wasn’t good here, I was just going to keep traveling to different places. Turns out there has been no need and I’m more than happy with how my trip has been right here. This feels like the right place to train at before the tour starts, It definitely won’t be my last trip to free surf in Portugal.

“My body has been sore from riding so many waves and that’s the best feeling ever”

What was your best moment in the water during this trip? 

Best moment would have to be sharing waves with the locals and everyone being so friendly in Peniche the other day, The waves were pumping, there were quite a few guys out and the locals would see me waiting my turn and good one would come in and they would say: “Tristan , you want to go?” To me that’s satisfying to know that if you wait your turn and be respectful, the locals are going to see that and share their perfect waves with you. I’d paddle back from a good one and they would all ask me how it was and it just felt good to ride waves with such a bunch of cool bodyboarders who were all ripping! We shared plenty laughs in the water and everyone was really happy to be in the water. When the waves are pumping and everyone is going big and enjoying it, those are the days that make you proud to be a bodyboarder. So thank you to those guys for this memorable day, you know who you are! 

What manoeuver did you particularly trained in Portugal? 

My favorite maneuver would have to be the air reverse at the moment. I’ve been enjoying all the opportunities to do them in Portugal. I am really enjoying them and I am trying my best to perfect them. Doing them off difficult sections on the wave is such a satisfying feeling when you pull it off. I also think the air reverse has be one of the best moves to watch. It can be so clean and effortless and it is such a technical maneuver. So yeah, I’ve been enjoying all the opportunities to do them in Portugal. 

Last year you finished 5th on the APB and won a few events, what are your objectives in 2019? 

I finished 5th on the APB tour in 2018 and managed to win 3 events last year as well as 2nd in Brazil and 3rd in Nazaré. It was the best year for me on tour and really lit the fire within myself to push harder in 2019. I love competing on the tour and the feeling of putting on a contest rash-vest is always so exciting. I think my objective is to keep the momentum I had last year and just focus on each event individually and try my best at each of them. It’s my goal to be world champ and I’m working as hard as I can towards it. 

“When the waves are pumping and everyone is going big and enjoying it, those are the days that make you proud to be a bodyboarder”

How do you see the bodyboard scene in the upcoming years? 

It’s so difficult to tell with our sport. So many times things are going good and then something bad happens which creates a big problem. I think we just need to keep focusing on ripping and creating the best content to expose our sport, focusing on development with the younger generations and supporting our world tour. This is all we can do, I think too many people forget about the fundamentals of growth and everyone is trying to get the most out of it . We need to stick together to expose our sport in the best light possible. If we do this, we definitely will see our sport in better places.

Outside the bodyboard scene, tell us a bit more about yourself?

I’m just an ordinary 22 year old with a passion for a wave riding, I want to ride as many good waves as I can enjoy the opportunities to travel to new places . I have travelled since I was 15 and I’m forever grateful for the opportunities I have had to do so. Other hobbies would be keeping fit, playing soccer with friends, fishing and my interest in training martial arts and boxing. I try have a balanced lifestyle by spending time with my girlfriend and loved ones, but also just trying to not always focus on Bodyboarding, because you don’t want to burn yourself out. With that being said it’s really difficult to find a balance when the waves are good haha!

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