Quantos de nós já não fomos ao médico e acabámos por sair de lá com o diagnóstico “Ouvido de Surfista”?

Esta lesão, que se desenvolve na parte interna do canal auditivo externo, é bastante frequente na comunidade do surf e prende-se com o desenvolvimento de exostoses, com especial relevância em praticantes de desportos aquáticos. Ou seja, nós, surfistas (no sentido lato). 

As causas exatas que a desencadeiam não são totalmente conhecidas, mas suspeita-se que tenha a ver com o facto dos ouvidos estarem expostos a longos períodos de tempo à água fria e ao vento. Com o progressivo aumento das exostoses a obstrução do canal torna-se maior, podendo levar a um acumular de cerúmen (cera), a otites externas recorrentes, a retenção de água, dor e até perda auditiva.

A origem do desenvolvimento das exostoses resultam, quase sempre, da exposição prolongada à água fria. Portanto, a temperatura da água tem importância no aparecimento da lesão, mas um fator bastante relevante também se prende com o número de anos de prática (onde o número de casos aumenta substancialmente). 

Na maior parte dos casos, um ouvido é mais afetado do que o outro devido a um pormenor muito simples: tem a ver com a direção predominante do vento no local onde a prática costuma ter lugar.

O tratamento, por norma, é do foro cirúrgico e pode ser efetuado de duas maneiras: 

  • É feita uma pequena incisão na parte de trás da orelha em que o excesso de osso é removido com uma broca;
  • Cirurgia feita diretamente através do canal auditivo, também com recurso a broca.

A prevenção, porém, passa por usar proteções auriculares e também o uso de gorros em neoprene e capacetes. Na realidade, quanto mais cedo se usar estas protecções menor será o risco de desenvolvimento de exostoses. 

Caso contrário, chegará uma altura onde tudo o que resta é… pois, ir à faca!


Fotografia: Chris Zeh

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