Li ontem algures que Sócrates Santana, o miúdo que veio de uma favela do Rio de Janeiro e é o protagonista principal da história da Cinderela que resultou na conquista do primeiro título mundial Pro Júnior para o Brasil (aqui), passou a ser agenciado por uma empresa de marketing desportivo.

A notícia pode não surtir grande efeito para o bodyboarder comum, que apenas deseja apanhar boas ondas no seu dia a dia, mas para o jovem carioca isto pode significar mais exposição, mediatismo e, claro, mais patrocínios e apoios. Afinal de contas, o bodyboarder bicampeão brasileiro sub-16 (em 2013 e 2014), de agora 17 anos, é detentor de um título mundial e tem o futuro pela frente.

Quem sabe até uma carreira recheada de títulos e sucesso no mundo profissional do bodyboard. No que toca a potenciar carreiras, o povo brasileiro surpreende sempre, digam o que disserem. E esta não deixa de ser uma boa notícia.

No entanto, em perfeita oposição a este exemplo, temos os jovens bodyboarders portugueses que dificilmente sairão do amadorismo a que estão ancorados. Talento não falta por aqui, mas a visão que têm do mercado está destorcida. E por esse motivo vendem-se por muito pouco e quase sempre a troco de material.

Podem nunca ter reparado, mas, ao fazê-lo, estão a hipotecar uma eventual carreira no bodyboard. E mesmo que tudo o que queiram é apanhar umas ondas e curtirem a vida ao máximo, lembrem-se dos amigos e compinchas de praia que aspiram a outros voos e, quem sabe, gostavam de explorar um pouco mais a fundo o mundo do bodyboard.

É comum dizer-se que são os próprios bodyboarders que asfixiam e impedem a evolução do Bodyboard. É triste, mas olhem que começo a achar que há uma pontinha de verdade nisto.

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