É bom que se diga e que seja logo na frase de abertura deste texto: o Bodyboard não desaparecerá dos Oceanos e nem tão pouco a sua vertente competitiva. Não é aí que queremos chegar com as palavras que se seguem. 

É certo que a esfera competitiva do Bodyboard, a uma escala mundial, sempre foi taxada por uma linha intermitente de altos e baixos. Entenda-se, períodos bons seguidos de períodos não tão bons e vice-versa. 

As várias organizações que já cuidaram do desporto (até ao momento são cinco) são bem demonstrativas da fragilidade do próprio circuito mundial. Inicialmente tivemos provas mundiais da Morey em Pipe organizadas pelo Honolulu Bodysurfing Clube de 1982 até 1994, depois a Global Organization of Bodyboarders (GOB) tomou as rédeas do Tour até 2002, seguida da International Bodyboarding Association (IBA) até 2013, Association of Professional Bodyboarders (APB) até 2019 e, por último, a International Bodyboarding Corporation (IBC) que entrou ao serviço no início de 2020, mas que, fruto do coronavírus que entretanto se instalou um pouco por todo o lado, ainda não teve oportunidade de realizar grande coisa. 

Com o estalar da pandemia, os bodyboarders, as associações e as várias organizações ligadas ao desporto viram-se confrontadas com uma nova realidade. Uma nova realidade que é muito dura, que fecha fronteiras e impede que os atletas e juízes se desloquem de um país para outro. Uma nova realidade que obriga a população ao confinamento, cria distanciamento entre regiões, impede a circulação e a realização de eventos. Uma nova realidade que, imagine-se, chegou a proibir a prática de Surfing

Tudo isto, compreensivelmente, leva a um apertar de cinto (financeiramente falando) de forma generalizada e vai gerando o caos. Sim, é um Mundo virado do avesso sem que ninguém o tivesse previsto. 

Com uma anunciada segunda vaga da Covid-19 a caminho, o futuro não parece realmente muito risonho para o Bodyboard competição – aliás, para qualquer competição desportiva – e 2021 nada mais é do que uma incerteza, uma miragem, até que a situação volte a estabilizar ao redor do planeta, ou exista uma vacina eficaz e/ou se registe uma substancial redução do número de infetados. 

A atribuição de um título mundial ou até nacional, no futuro, pode sempre estar em causa. Contudo, as organizações têm que se precaver, preparar muito bem e fazer o trabalho de casa para que 2020 não se repita. Eventualmente, atenção, o próximo título mundial poderá não estar acessível a todos devido aos constrangimentos de fronteiras entre as várias regiões do globo. O próximo título poderá até que ser endereçado numa única prova, à imagem do que se fez nos primeiros anos em Pipe, ou através de uma época competitiva muito reduzida. E aqui temos o exemplo do que aconteceu em Portugal com as provas de Bodyboard a obterem luz verde em agosto e a terem que terminar, forçosamente, no final de outubro (3 meses).

O cenário não joga efetivamente a nosso favor, é verdade, mas sabemos que baixar os braços não é a solução e, aproveitando sempre as fases de desconfinamento, é possível levar a bom porto algumas competições. xxx

* Na zona de comentários (em baixo, através de Facebook) deixem-nos a vossa opinião e/ou medidas que podem ajudar ao regresso, sobretudo, do World Tour. 

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