Há dias, decidimos pedir a Manuel Centeno, detentor de nove títulos nacionais open em bodyboard, um master, cinco europeus e dois mundiais, que nos explicasse as vantagens e as motivações que encontra na prática de Jiu Jitsu, desporto que tem vindo a praticar nos últimos nove meses já com resultados bem palpáveis ao nível competitivo. O campeão aceitou o desafio e enviou-nos, hoje de manhã, um texto que explica bem esta sua nova paixão: 

O Jiu Jitsu é um desporto pelo qual me senti sempre atraído, o tipo de contacto, a força, a estratégia, o equilíbrio. 

Na viagem ao Havai de 2015, o Titó, um amigo que conheci por intermédio do [Hugo] Pinheiro há uns anos, perguntou se eu não queria ir ver um treino no Sunset Beach Jiu Jitsu. Fui e acabei por fazer lá quatro treinos com aquela malta toda do surf. Foi altamente. 

Voltei para Portugal com a ideia que no final da época competitiva de 2015 me ia inscrever. O Titó disse-me que no Porto havia uma equipa muito boa, a Focus Jiu Jitsu (antiga Team Manoel Neto), com bom ambiente, e em finais de novembro inscrevi-me com um amigo e começámos a treinar.

Adaptei-me bem, adorei a exigência de treino na componente física, a natureza do jogo em si e o ambiente, que é o oposto ao que eu sempre associei a este tipo de desportos – seguranças da noite e malta da pesada.

Em dezembro, fui ver o Nacional Open a Lisboa e mal entrei no pavilhão vi que o que eu queria mesmo era participar na próxima competição.

Encontrei o meu equilíbrio de treino entre o Bodyboard, Jiu Jitsu, Pilates e a Natação, e a época competitiva de 2016 começou.

Em março fiz as duas finais do Nacional de Bodyboard, fui uma semana para Sagres apanhar um bom swell e aproveitar para relaxar. Quando regressei ao Porto tinha duas semanas para preparar-me para o Campeonato Português de Jiu Jitsu, que é o Campeonato Nacional onde não se podem inscrever estrangeiros, ao contrário do Campeonato Nacional Open de Jiu Jitsu.

Para além do treino, gosto de estudar, de ver vídeos, ler artigos, descarregar aplicações, já dei por mim no chão da sala a fazer posições sozinho, e já pedi à Joana uma ou outra vez que se pusesse em determinada posição para eu simular um movimento. Eu não faço isto com um objetivo, eu dou por mim a fazê-lo.

Queria ver como é que lidaria com um tipo de competição deste tipo, que género de ansiedade é que iria sentir e como é que a iria gerir. Na verdade, na competição de Bodyboard estou num momento em que, de maneira geral, não sinto grande ansiedade e consigo colocar-me num estado mental em que considero fixe para competir.

No entanto, no Jiu Jitsu, a competição é contra alguém, e alguém que está ansioso, nervoso, agressivo e reactivo. E isto pode facilmente gerar ansiedade.

No dia do campeonato senti ansiedade várias vezes, mas consegui controlá-la e criar um estado mental razoável, positivo. Na verdade tinha imensa vontade de competir, mas a verdade é que acabei por competir de uma forma muito impulsiva, com mais força do que técnica, e onde não estava ligado comigo mesmo. Acabou por correr bem e ganhei o campeonato.

Cinco dias depois de ter regressado do Mundial de Itacoatiara, onde ainda cheguei a fazer dois treinos em Niterói, participei no Portugal Grand Slam, que foi realizado no Porto. Este é um Campeonato Nacional onde se somam os pontos individuais para se definir a equipa Campeã Nacional.

Nesta competição entrei completamente ligado a mim mesmo, com muita vontade de competir e de contribuir para a vitória da nossa equipa. Correu muito bem, venci o campeonato na minha categoria e a nossa equipa venceu três dos quatro títulos em disputa. Foi top!

No presente, sinto que este desporto está a contribuir para uma excelente forma física a nível de cardio, força e explosão, mas apesar de se treinar bastante a flexibilidade, não dispenso o pilates (Pilates Aviz Estudio) onde trabalho flexibilidade e também faço reforço muscular. Misturando tudo isto com a natação, acabo por ter um treino super completo para qualquer desporto de ondas.

Relativamente a treino tenho a opinião de que não existe uma fórmula específica de sucesso. Existem vários caminhos entre as várias vertentes a serem treinadas. Normalmente dá-se muita importância à vertente física, técnica e táctica. E negligencia-se a mental. A parte humana. 

O que me dá a mim motivação para treinar, confiança para competir, e bem estar de uma forma geral, é, muito provavelmente, diferente de outra pessoa. Portanto, os desportos complementares para um determinado tipo de treino, podem funcionar para uns e não tanto para outros. Em todo o caso, cada um de nós deve tentar encontrar o seu ponto de equilíbrio.

No Jiu Jitsu desejo continuar a treinar e a evoluir, enquanto me estiver a sentir bem e a curtir, e a contribuir para um bom desempenho dentro de água. E já agora participar no Campeonato Europeu que se vai realizar em Lisboa em janeiro de 2017. 


Texto: Manuel Centeno

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