Desde que comecei a fazer bodyboard, ainda criança, sempre que viajava com a minha família para visitarmos os nossos familiares americanos em Atlantic City (New Jersey), levava a minha prancha na esperança de apanhar umas boas ondas. Por vezes, coincidiu com o swell dos furacões vindos da Florida.

No geral, é um sitio que não tem sempre swell sólido como temos em Portugal, mas os ventos, por norma, mantêm-se offshore ao longo do dia e com centenas de quilómetros de praias de areia é quase garantido encontrar picos bons para surfar.

Após 17 anos sem lá voltar, estava planeada mais uma viagem de família e antes de arrancar entrei em contacto com alguns bodyboarders locais que se ofereceram para me levar a surfar caso entrasse uma boa ondulação. Para minha sorte, a meio da viagem entrou um swell perfeito e assim, durante dois dias, saí bem cedo para Long Beach Island, onde me levaram a um pico de direitas clássicas sem crowd

No primeiro dia, assim que chegámos, entrámos logo a correr e seguiram-se duas horas de tubos épicos. Quando a maré começou a ficar mais cheia, saímos da água e guiámos (sem tirar o fato!) uns quilómetros mais para norte, onde me deparei com um pico triangular de esquerda e direita muito fun, fazendo lembrar um pouco Supertubos. Nesse local, com condições absolutamente perfeitas, surfámos mais duas horas. 

Saímos da água já estoirados e esfomeados, almoçámos num sítio típico americano de fast food local. Achava que o dia já estava feito, mas os locais Rick Adams e Zach Veneziano tinham outra ideia em mente. Assim seguimos caminho para o lado sul da ilha, onde me mostraram uma esquerda bastante comprida e tubular que rolava perto da areia fazendo lembrar uma pequena versão de “Kirra”. 

Apesar do frio e cansaço, nem hesitámos e entrámos logo. No início, a surfada começou com algum crowd e não foi fácil apanhar as melhores ondas. Contudo, com a maré a vazar, as ondas começaram a ficar cada vez mais cavadas e com o sol a pôr-se do outro lado da baía contámos com um final de tarde épico a que os locais chamaram de “golden hour”,  pois o reflexo do sol iluminou o line up com tons de dourados incríveis. Aproveitámos até à última luz do dia e saímos da água quase de noite com um sorriso gigante na cara.

No dia seguinte, sabíamos que ainda ia haver algum swell de manhã e decidimos acordar cedo e voltar ao local dos triângulos para uma última surfada antes do swell desaparecer por completo. Acabámos por ter o Rick Adams a filmar a sessão e o LJ Hepp a fotografar.

Estes dois dias de ondas incríveis tornaram a viagem a Nova Jérsia a mais épica de sempre. Queria deixar um especial agradecimento ao Rick Adams, Jack Veneziano e LJ Hepp por partilharem o line up e me darem a conhecer os secret spots daquela zona. 


Texto: Nicolas Rosner | Fotografia: LJ Hepp | Vídeo: Rick Adams

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