Um pouco por todo o país podemos encontrar zonas com forte tradição no Bodyboard. Umas destacam-se pela quantidade de bodyboarders que apresentam nas suas praias. Outras pela qualidade extrema de alguns dos filhos da terra. Na Figueira da Foz o que salta à vista é a forte união entre todos os elementos que compõem a comunidade local.

Os bodyboarders figueirenses possuem uma fibra sem igual e uma atitude tão nobre que quase podia ser considerada única no país. Não é à toa que regularmente se fala em “escola de bodyboard da Figueira”; pois ela efetivamente existe e tem vindo a dar importantes cartas no panorama nacional.

Na parte que me toca, desde que me lembro que os bodyboarders da Figueira são muito unidos e coesos. Mas isto não é tudo. Eles são também fiéis ao Bodyboard e não aceitam merdas de nada nem ninguém. Eles são conhecidos por criar a sua onda e trilhar o seu próprio caminho. O gangue do Mondego não segue modas, credos ou estrelas; é simplesmente fiel a si próprio.

Tem sido assim desde que me lembro… e, sem me esforçar muito, facilmente reconheço quatro diferentes gerações de bodyboarders da Figueira da Foz.

A primeira, claro, só poderia ser a do Miguel Gravato, do Alfredo Coelho, Paulo Pereira e do Nuno Trovão, entre muitos outros. Depois seguiu-se a do Luís Pereira, o “Porkito”, Nuno Martelo Simões e Pedro Oliveira, apenas para citar alguns. A terceira geração, encabeçada por Jaime Jesus, Fábio Laureano e Bernardo Jerónimo, seguiu as pegadas dos mestres locais e chegou cheia de vontade de vencer.

Por último, plena de talento, a quarta geração onde os manos Adão (Ana e Miguel) são cabeça de cartaz e motivo de inspiração para muitos como os novatos Afonso Alexandre e Carolina Esteves.

Em todas elas um denominador comum: a atitude. Desde os idos de oitenta até ao presente, os bodyboarders da Figueira têm feito disso uma espécie de culto – no bom sentido – e nada os tem demovido do seu caminho.

Tudo isto até poderia ser fruto do acaso, mas estou convicto que a ABFM – Associação de Bodyboard Foz do Mondego tem seguramente uma palavra a dizer sobre o deslindar deste longo e excitante percurso.

Por tudo isto, por zelarem pelo desporto e pelo seu futuro, gostaria de vos endereçar a seguinte mensagem: Parabéns e um grande bem haja por existirem!

Nota: O presente texto foi escrito a convite, em 2014, para o livro ABFM 20 Anos que eu nunca soube se chegou a ser publicado. Em todo o caso fica a partilha e, claro, o devido tributo a essa grande comunidade de bodyboarders figueirenses.


Fotografia: João Serpa

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