A fotografia remonta ao ano 2004 e foi registada na cerimónia de encerramento do Euro Júnior, na Costa de Caparica. Nela estão dois elementos da seleção francesa, a equipa que na altura saiu vencedora do evento. Eles cantam o hino do seu país em celebração de mais uma importante vitória no mundo do Surf.

Caso ainda não tenham reparado, à esquerda está um Pierre-Louis Costes muito novinho. A seu lado, um dos nomes incontornáveis do bodyboard europeu e mundial – Nicolas “Cap2” Capdeville. No entanto, os dois tiveram funções específicas no evento: um cumpriu o papel de atleta, o outro de selecionador.

Na verdade os bodyboarders portugueses e os franceses nunca se entenderam muito bem. E a história prova que sempre houve uma rivalidade muito forte entre nós – desde os primeiros tempos, sempre os achámos de nariz empinado e arrogantes, como se fossem reis e senhores de tudo. Por isso, tudo o que temos feito é suportarmo-nos mutuamente.

No entanto, embora a situação tenha melhorado nos últimos anos, a verdade é que os “frogs” não registam pelas suas praias a quantidade de atletas que temos por cá. Todavia, têm conseguido andar um passo à nossa frente. Eles podem não ter quantidade, mas estão a compensar com qualidade. E por mais que custe engolir, têm vindo a marcar o ritmo conseguindo feitos excecionais…

Eu sei que temos talentos bem capazes e deveras motivados, atletas que em nada ficam a perder para os franceses e que, houvesse mais apoios, condições e dinheiro, talvez chegassem mais longe. Manuel Centeno é um dos exemplos que representa bem a qualidade e garra dos bodyboarders lusitanos. Ele venceu o WQT (circuito de qualificação) em 2003 e três anos mais tarde sagrou-se campeão dos Jogos Mundiais da ISA. Porém, em 2002 já Cap2 tinha oferecido à Europa um título WQT… e no que diz respeito aos “olímpicos” da ISA foram duas as vitórias que o francês averbou ao seu palmarés desportivo (1992 e 2002). A fantástica conquista de Gonçalo Faria, em ’98, nos Jogos Mundiais disputados em Carcavelos, equilibra as contas.

Daqui para a frente, com o “upgrade” do World Tour da GOB para IBA, e a consequente criação da Grand Slam Series, as coisas foram ficando mais árduas para os bodyboarders portugueses. Esporadicamente vamos tendo uma ou outra presença no Tour… mas isso, por si só, é insuficiente face à representatividade do desporto nas nossas águas. Parece que o foco, o drive, se foi perdendo e a fantasia de alcançar um título mundial – que em tempos já foi tão palpável – está a desvanecer, quase a desaparecer por completo.

Ao invés, o bodyboard francês fortalece-se e tem vindo a conquistar o seu espaço no panorama internacional. Os títulos mundiais conseguidos por Moz e PLC, nos últimos dois anos, foram simplesmente avassaladores… e lá vão servindo para rotular a nação tricolor como uma das potências do desporto.

Como se não bastasse, a reviravolta recente nas contas do GSS de Puerto Escondido veio criar novas oportunidades. Quem sabe agora se um terceiro título não estará novamente a caminho da Europa? É difícil, mas não impossível. E a julgar pelas qualidades do “fenómeno”, PLC é um candidato que pode surpreender a qualquer momento.

Lá bem no fundo eu sei que os franceses não são a maior força europeia… mas estão a mostrar serviço e a deixar-nos perdidos na poeira! Por isso, meus amigos, de que estamos à espera?


P.S.: Para que conste, no dito evento, PLC venceu os sub-16, mas foi o português João Barciela quem saiu na frente da divisão sub-18.

 

Comentários