A Filipa Broeiro é a atual campeã europeia júnior e esta temporada não passou despercebida uma vez que selou o segundo título nacional sub-18 consecutivo. A atleta sintrense de 18 anos que representa o Ericeira Surf Clube, é uma das esperanças do bodyboard português, tem um apetite especial por ondas pesadas e para o ano passa a ter novos objetivos (ingressa a full time no open). Falámos com ela para perceber o que nos reserva o futuro. 


Para começar vamos pedir que nos fales um bocadinho das tuas origens, como começaste no Bodyboard, quais os bodyboarders que te influenciaram, quem te levou a praticar este desporto e também como é a rotina do teu dia-a-dia?

O primeiro contato que tive com o Bodyboard foi no final do 2º ciclo através da minha professora de Matemática, a Andreia Passos, que me levou a frequentar umas aulas de verão na Action Waves, escola que ainda hoje mantém com o marido, o Gonçalo Silva, também conhecido como “Estrela”.

Desde aquelas primeiras aulas nas espumas da Praia Grande, em Sintra, que me apaixonei por este desporto. Eu fazia ginástica de competição (tumbling) mas acabei por optar e dedicar-me mais ao bodyboard. Na altura não pensava em competir nem tinha quaisquer referências. Por isso, acho que a pessoa que mais me influenciou na escolha desta modalidade foi mesmo a Andreia, pois era ela quem dava aulas aos mais novinhos e me ensinou o básico dos básicos. Só mais tarde, com a evolução, é que passei a treinar mais com o “Estrela” e com o “Foca” (Carlos Branco) que são hoje os meus treinadores.

O primeiro contato que tive com o Bodyboard foi no final do 2º ciclo através da minha professora de Matemática

Esta temporada renovaste o título nacional Sub-18 e também foste distinguida pelos jornalistas desportivos. Que resumo farias de 2019, não só a nível de Circuito de Esperanças, mas de uma forma geral?

O ano de 2019 acabou por ser muito positivo, mas nem sempre correu bem. No inicio da época estava muito ansiosa por apresentar tão bons resultados como em 2018, ano em que me sagrei Campeã Europeia Sub-18 a representar a Seleção Nacional, Vice-Campeã na Taça de Portugal e Campeã no Circuito Nacional de Esperanças pelo Ericeira Surf Clube. Esta pressão não foi boa e, como resultado, fui eliminada no primeiro heat em todas as etapas do open. Esta fase foi muito difícil, o apoio dos amigos mais próximos, da família e principalmente dos meus treinadores foi fundamental. 

Hoje, no final da época, posso dizer que alcancei os principais objetivos estabelecidos com os meus treinadores e clube para 2019. Concretamente, reconquistar o titulo de campeã da Taça de Portugal e renovar o título de Campeã no Nacional de Esperanças. Contudo, o principal e mais importante foi ter aprendido a não desistir nas adversidades e a lutar sempre pelos objetivos.

Em 2019, muito por causa do título europeu, recebi duas distinções muito importantes. A primeira foi na Gala da Confederação dos Desportos de Portugal, com o prémio de Atleta do Ano, e a outra na Gala Anual do CNID (Associação dos Jornalistas de Desporto), com p prémio atribuído pelos Senhores Jornalistas Desportivos. 

Recuemos até julho do ano passado e ao Europeu Júnior em Santa Cruz onde venceste de forma imponente no feminino Sub-18. Foi esse o teu melhor resultado de sempre?

O título de Campeã Europeia de Bodyboard Junior ao serviço da Seleção Nacional é, até agora, o título mais importante que conquistei. Foi uma experiência muito positiva. Uma semana muito intensa vivida em Santa Cruz, onde decorreu o Euro Júnior, e onde também cresci muito como atleta. 

(…) por falta de apoios, fazer muito mais provas e o Circuito Mundial é ainda um sonho

Por que praias costumas treinar regularmente? 

O meus locais de treino vão variando consoante a altura do ano. No verão frequento principalmente a Praia Grande, em Sintra, que fica muito perto da minha casa. No entanto, também vou muito para a Ericeira. Adoro a Praia da Empa e o pico da Pedra Branca e Reef. Vou lá bastantes vezes, até porque normalmente as etapas do circuito de bodyboard do meu clube, o Ericeira Surf Clube, são lá disputadas. No inverno opto mais por outras praias, nomeadamente, Carcavelos e Costa de Caparica, principalmente as praias de São João e, obviamente, a Cova do Vapor. Vou menos vezes do que queria a Supertubos, em Peniche, onde sempre apanhei boas ondas. Sagres é um dos locais de Portugal que mais vontade tenho de visitar. Vejo altas filmagens dos locais, mas nunca tive oportunidade de surfar lá.

Qual o teu plano de treino, se é que tens um?

O meu plano de treino também varia consoante a altura do ano. No inverno tento surfar pelo menos três vezes por semana e complementar com treino físico no ginásio. No verão treino no mar praticamente todos os dias e faço muito menos treino de ginásio. O treino também altera quando se aproxima um campeonato, pois intensifico o treino de mar diminuindo o treino físico de ginásio.

O título de Campeã Europeia de Bodyboard Júnior ao serviço da Seleção Nacional é, até agora, o mais importante que conquistei

A teu ver, qual a melhor onda de Portugal? Aquela que apresenta as melhores condições para a prática de Bodyboard? 

Para mim é muito difícil definir qual a melhor onde de Portugal, até porque ainda me falta experimentar muitas. Acho que até atletas mais experientes terão alguma dificuldade em eleger e melhor onda, tão grande é a extensão e variedade da nossa costa. Porém, do que conheço, arrisco-me a dizer que as ondas da Pedra Branca e Reef deverão ser das melhores do país.

Relativamente ao futuro, que planos tens em mente? Quando pretendes fazer o grande assalto ao título nacional open?

Para mim 2020 será um ano de transição. Por esse motivo não quero para já definir metas em termos de resultados. Quero evoluir e vou dar o meu melhor em todas as provas que entrar. Conto fazer o Circuito Nacional Open, algumas etapas do Circuito Europeu e, pelo menos, a etapa do Mundial na Praia Grande em Sintra. Não tenho possibilidade, por falta de apoios, de fazer muito mais provas e o Circuito Mundial é ainda um sonho. Tenho como metas, a médio prazo, conseguir o titulo nacional open e mantenho a esperança de um dia poder lutar pelos títulos europeu e mundial. Quem sabe? 

Se me for permitido, gostava de enviar uma saudação muito especial para algumas pessoas: aos meus treinadores, Gonçalo Silva “Estrela”, Carlos Branco “Foca” e Andreia Passos; a Miguel Barata de Almeida, presidente do Ericeira Surf Clube; ao Nuno e Sónia Fontinha. 


Fotografia: Hugo Sousa Ferreira & Pedro Broeiro

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