Aos 40, Zé Gabriel dispensa apresentações e continua a ser um dos mais fiéis seguidores da “Jack stance”. Um destes dias entrámos em contacto para saber como está a correr a temporada de inverno a norte e também para fazermos uma atualização do estado do Dropknee. 


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Oá Zé. Começamos por pedir que nos fales das últimas sessões por Espinho e de como tem sido esta temporada de inverno em geral? 

Este tem sido um inverno difícil. Fundos instáveis pelas constantes ondulações e raramente acertaram da forma que nós sempre esperamos.

Há alguma sessão que mereça especial atenção? 

A sessão de sábado, 22 de fevereiro. Ondulação com força, bons tubos e boa vibração na água.

[no Dk] é preciso persistência e encarar a fase inicial de forma positiva

Dropknee é uma disciplina muito específica. Que características é preciso ter para praticar?

Acima de tudo, persistência e encarar a fase inicial de forma positiva. O tamanho da prancha e a ausência de quilhas obriga a aprender a usar o rail da prancha de forma permanente. Isso leva tempo, especialmente de backside.

Não há muitos praticantes de Dropknee no Mundo nem em Portugal. Além da exigência óbvia de que já falámos, há alguma outra razão para isso suceder? 

O Dropknee é uma vertente do Bodyboard, de nicho. A maior parte dos praticantes de desportos de ondas opta por bodyboard ou surf. O Dk dá a liberdade ao praticante de apesar de utilizar material de bodyboard, no momento de apanhar uma onda, pode optar pela sensação idêntica à de um surfista. É muito versátil. Muitos bodyboarders passaram do prone para o surf sem verdadeiramente experimentar o Dropknee, o que é uma pena.

Muitos bodyboarders passaram do prone para o surf sem verdadeiramente experimentar o Dropknee, o que é uma pena

És um rider que faz única e exclusivamente Dk. Que tipo de ondas procuras ou satisfazem melhor as tuas expectativas?  

Sou aficionado por pointbreaks. Gosto de olhar para uma onda e decidir qual a linha que quero seguir. Fazer uma boa leitura da onda. Porém, a intensidade de uma boa sessão num beach break como os Supertubos ou similar é algo que cria sempre em mim a sensação de desafio e dispara a adrenalina. São estes dois os tipos de onda que procuro.

No teu percurso quais os riders que mais te influenciaram? 

A nível nacional, o Batata, o Diogo Pimenta, o David Rafachinho, Banana. Internacionalmente, o Paul Roach foi o primeiro a despertar-me o interesse no Dk quando ainda eu fazia surf. Vi nos filmes do Taylor Steele um bodyboarder fluido e radical em Dk que me chamou a atenção. Também nessa altura ele passou por Espinho com o Mike Stewart e o Jay Reale e foi impressionante vê-lo ao vivo. Depois, nomes como o de Matt Lackey, Kim Feast, o incontornável Dave Hubbard, entre outros, dão-me imenso gozo ao vê-los elevar o patamar do desporto.

Gosto de olhar para uma onda e decidir qual a linha que quero seguir

Uma última questão sobre o paradigma da competição? É que há poucos atletas a fazer Dk e competitivamente não aderem. Porque é que achas que isto sucede?

Creio que  basicamente são três os motivos. Primeira, falta uma nova geração de Dk riders com garra que queira elevar o nível, que sinta verdadeira paixão por esta vertente incrível do Bodyboard. Segundo, a geração que pratica Dk em Portugal está numa fase da vida em que surgem muitos compromissos familiares e profissionais que limitam o tempo disponível para correr um circuito a full-time. Em terceiro e último lugar, o facto de não existir um prize money que compense as deslocações põe em causa a viabilidade do circuito – deslocações, inscrições e alojamento pesa no orçamento de muita gente.

Em todo o caso, apesar da crítica construtiva, nós (competidores) sabemos que a situação económica deste mercado não é fácil e estamos muito satisfeitos por a Federação Portuguesa de Surf manter esta categoria e dar-nos a oportunidade de competir, conviver e tentar sempre elevar o nível de norte a sul do país. xxx

Aproveite para rever o slide show com o Zé Gabriel nas Mentawai

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