A manhã do dia 18 de junho vai ficar marcada na história do Bodyboard. Foi uma manhã abençoada no litoral carioca, com grandes  ondas surfadas num dia super intenso e desafiador.

Depois de três meses sem apanhar ondas por conta do isolamento social (devido à Covid-19), fomos presenteados com um swell grande, de período bem alto de 15 segundos e direção de sul/sudeste. Uma previsão fora dos padrões brasileiros.

Acordei às 5 horas da manhã, vesti-me e fui direto para São Conrado, praia onde treino diariamente. Ao chegar em São Conrado vi que as ondas estavam em torno dos 2 metros, com séries maiores mas com uma maré bem seca, deixando as ondas ainda mais quadradas do que de costume. Uma condição na verdade bem perigosa, pois o risco de bater no fundo é muito grande, caso ficássemos em algum tubo ou não completássemos alguma onda.

Preparei-me e fui para água na companhia dos meus amigos e companheiros de mar grande – Eric Poseidon, Pablo Ricardo, Thiago Vilela e Victor Dubois. Na areia, comecei a alongar e vi que estava realmente grande, vi que esse era o dia que eu teria oportunidade de pegar uma onda animal, um tubão, ou melhor dizendo um camião.

Dito e feito, mas como de costume nessas condições, tive que tomar muito caldo e muita onda na cabeça para encontrar a onda do swell, o verdadeiro “Diamante”. 

Fiquei duas horas e meia na água e apanhei quatro ondas, mas foram quatro tubos enormes, sendo que as três primeiras foram tubos longos e largos. A terceira onda em especial, foi muito larga e oca, fora do normal e dos padrões que estamos acostumados. E assim continuei a acreditar que iria conseguir apanhar uma onda boa. Eu sabia que seria uma onda espetacular se eu pegasse a onda certa.

Até que então o que eu tanto esperava apareceu no horizonte, a partir do momento em que vi a onda sabia que seria perfeita, pois ela encaixou perfeitamente na bancada, mas com um porém, tinham uma dupla fazendo tow-in um pouco mais para fora e nesse momento o piloto e amigo Wagner Beta voltava para o fundo, foi quando me dei conta que ele estava exatamente na linha da onda, no mesmo momento eu pensei: “não acredito que agora que veio a onda a marola do jet vai-me atrapalhar?”

Por sorte, ele é experiente e pensou da mesma forma, percebeu o mesmo e parou de acelerar para não formar essa marola que iria me atrapalhar e deformar a onda que estava simplesmente perfeita. Depois desse primeiro momento comecei a remar e, logo quando comecei a remar, o meu amigo Victor Dubois gritou para eu ir.

Depois disso eu tinha certeza que a onda seria absurda, e não deu outra, dei uma cavada no limite da base e quando eu coloquei no trilho do tubo já começou a rodar uma espiral muito larga e longa, onde eu tracei uma linha e só foquei nela. A primeira secção eu passei com uma velocidade enorme e nesse momento veio a primeira baforada, onde não consegui ver mais nada. Como estava bem posicionado e a onda não tinha nenhuma espuma branca para me atrapalhar, continuei na mesma linha, quando consegui ver novamente eu só vi uma saída bem na frente. 

É nesse momento, em que vejo a porta de saída, que sai uma outra baforada e eu só consegui ver de novo quando saí do tubo em “full speed”! A sensação é indescritível, pois estava literalmente em êxtase. Eu sabia que tinha acabado de apanhar uma onda igual a Pipeline, sem sombras de dúvidas.

Sai da água e fui direto para o calçadão falar com os videomaker e fotógrafos Anderson Guerreiro e Rafael Gomes que estavam a vibrar com a imagem e com a onda que eu tinha acabado de surfar. Para minha alegria, ambos apanharam todos os momentos da onda, do início ao fim, um em vídeo e o outro em fotografia. Ao ver as imagens tive a certeza: tinha acabado de apanhar uma onda igual a Pipe.

Quero agradecer ao Salvemos São Conrado por cuidar e sempre procurar melhorar a nossa praia, aos meus amigos e grandes profissionais Anderson Guerreiro e Rafael Gomes, e também aos meus amigos e parceiros de treinos, principalmente em dias grandes e desafiadores como esse, Éric Poseidon, Thiago Vilela e Victor Dubois.


Texto: Alexandre Cruz @actreinosurf 
Vídeo: Anderson Guerreiro @anderson_guerreiro_photo 
Fotografia: Rafael Gomes @raalf22 
Agradecimentos especiais: Salvemos São Conrado, Erizos Brasil, Anderson Guerreiro e Rafael Gomes.

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