Num destes domingos fiquei meio adoentado, deu-me a moleza e acabei por aterrar no sofá. Aproveitei o momento e decidi acompanhar o último dia do Antofagasta Bodyboard Festival (ABF). Na verdade até calhou bem, pois já fazia algum tempo que não via uma transmissão em direto de bodyboard.

O ABF é o segundo mundial que tem lugar no Chile desde há alguns anos e chegou a surpreender-me, pois, no que diz respeito a organização e estrutura, pareceu-me bem melhor que o tradicional evento de Arica. A dupla de comentadores também não esteve mal, embora continue a achar que de uma forma geral falta mais cultura global do desporto. O pior foi a transmissão que ora ia abaixo ora ficava sem som.

Mesmo assim, a pouca energia e o estado enfermo em que estava envolvido não me deixaram alternativa. Optei por continuar a (tentar) acompanhar. Não se iludam, as ondas estavam más, muito batidas pelo vento sideshore, mas a malta teimava em voar, muito graças ao efeito “trampolim”.

Sinceramente, não gostei do espetáculo. Okay, era bodyboard… mas o que me estava a ser apresentado era fraco e claramente desinteressante para os padrões atuais. Mesmo assim, sempre que tinham oportunidade, os “pros” da modalidade faziam questão de dizer ao microfone que aquele estava a ser um evento do outro mundo.

Evidentemente, sei bem que o bodyboard é para ser feito em todas as ondas. Não só de grandes tubos e slabs é composto o todo da modalidade. É sabido que etapas como a de Antofagasta têm necessariamente que existir. Contudo, enquanto espetador, o que vi não me cativou. E é este sentimento natural de indiferença para com um desporto que sigo há quase trinta anos, que eu e outros muito possivelmente sentimos, que tem que ser combatido pela nova equipa da APB (Association of Professional Bodyboarders).

Em vez da cómoda passividade (de aceitar tudo o que é apresentado “chave na mão”), talvez fosse bom pensar que a solução pode passar pela proatividade. O buscar novos destinos e ondas para o circuito pode ser um bom tónico. Sem dúvida que é um desafio interessante. Mas isto sou apenas eu a falar.

O que sei é que ao World Tour parece faltar nos dias que correm uma pitada de “sex appeal”. E quando assim é meus amigos, temos garantidamente um berbicacho em mãos.

Sex appeal
1. the ability to excite people sexually;
2. immediate appeal or obvious potential to interest or excite others, asby appearance, style or charm.


Fotografia: Ramon Miranda

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