Nota: Texto publicado originalmente na Vert nr. 59 (abril 2004) e adaptado para publicação online a 16 de dezembro de 2019. 


Hoje fomos ao arquivo buscar alguns factos e personagens que influenciaram o rumo da modalidade. Optámos por revelar a lista dos nomes que compõem os campeões nacionais desde a primeira competição oficial na terrinha, se é que assim se pode chamar. 

A maior parte dos leitores não faz ideia, mas alguns certamente que se lembrarão que a competição em Portugal estreou-se em 1986. Acontece que esta nem sempre foi considerada “oficial”. É que na falta do aval da Federação Portuguesa de Surf (FPS), os próprios atletas consideravam que determinado evento serviria para apurar o campeão da altura. 

Portanto, não é de estranhar que nos primeiros anos (1987 e 1988), os “Grandes Prémios da Morey Boogie” tenham sido apontados para esse mesmo fim. Em última instância, são os que ficam para a História e contam para efeitos de ranking de consumo interno. Resumidamente, apenas nos dois primeiros anos, o Grande Prémio da Morey Boogie foi uma única prova disputada em Ribeira d’Ilhas no período de verão. 

Um facto curioso do evento é que os atletas apenas poderiam competir munidos de pranchas da marca Morey Boogie, diretrizes da casa-mãe sediada nos States, independentemente do modelo e marca que usassem no momento. Este fator gerava sempre alguma controvérsia na hora da inscrição, mas na altura a prova era demasiado importante (e quase exclusiva) para que outras medidas e atitudes fossem tomadas. 

Ao vencedor masculino era oferecida uma viagem ao Havai e assegurada a participação no campeonato mundial de Pipeline (Morey Boogie Pipeline World Championships) que, na altura, apresentava um formato idêntico e servia para revelar o campeão mundial. Ribeira d’Ilhas, ou melhor, a Ericeira, continua a ser um palco de referência e de importância única para se fazer uma prova de Bodyboard. É pena que, atualmente, não se realizem mais eventos de destaque por lá. 

Em 1989, apesar do Grande Prémio continuar a ter lugar, eis que surge o primeiro Circuito Nacional Open com provas espalhadas por Viana do Castelo, São João do Estoril, Praia Grande, Carcavelos e Costa de Caparica. Face à imagem conseguida com este circuito, a Morey Boogie opta por desistir dos Grandes Prémios e direciona todas as suas forças (e verbas) na criação de um Circuito Nacional por categorias em 1990. 

Era esse o principal pedido dos bodyboarders na altura e o representante da marca em Portugal – Grosal, Lda – correspondeu às expetativas. Um ano mais tarde, um distribuidor de uma outra marca de bodyboards decide organizar o Circuito Nacional, mas tudo o que conseguiu foi meter os pés pelas mãos. Nessa perspetiva, 1991 foi um ano triste, pois não houve um vencedor para apontar…

O arranque do Circuito Nacional da era moderna ou, em última instância, da era oficial, ocorre em 1992. É sob a égide da FPS e com o apoio das marcas Redley, BZ e Staroup que as provas passam a ser realizadas, com prize-money e sem restrição de pranchas. 

Um ano mais tarde Daniel Santos arrecadou 500 contos (2500 Euros) em apenas duas provas divididas por Esposende e Afife. Na altura falou-se muito em profissionalismo.  

A organização do Circuito Nacional correu dentro dos parâmetros normais até 1996, altura em que surge a APB – Associação Portuguesa de Bodyboard (entidade formada por atletas e em prol dos mesmos) e divide o circuito em duas categorias distintas: Profissional e Amador. 

Apesar de muito ambicionado e de ter gerado uma expetativa enorme, o Circuito Profissional nunca chegou a arrancar devido à inoperância da empresa que ficou de o organizar. Já o Amador chega ao fim e elege os campeões nacionais, conforme previsto. 

No ano seguinte a situação mantém-se, a empresa responsável pela organização ganha novo crédito… mas o Circuito Profissional volta a tropeçar, não conseguindo melhor do que realizar apenas duas das quatro provas inicialmente previstas. A situação foi das mais estranhas e confusas de sempre na história da modalidade, mas ainda assim o nome do campeão profissional é apurado. 

Em 1998, face ao abandono a que se viu surpreendentemente envolvido, o Bodyboard volta a ser incorporado nas principais atividades da FPS. Aliás, até ao dia de hoje é esta federação que tem gerido, organizado e levado a cabo o Circuito Nacional Open, promovendo também os títulos Dropknee desde 2014 e Masters desde 2015. 

Conhece então todos os campeões portugueses de Bodyboard

1987 – OPEN: Miguel Theriaga & Catarina Rato

1988 – OPEN: Rodrigo Bessone & Xana Barata

1989 – OPEN: Rodrigo Bessone & Dora Gomes

1990 – SÉNIOR: Rodrigo Bessone | JÚNIOR: João Barros | FEMININO: Dora Gomes

1991 – Não houve circuito

1992 – OPEN: Rodrigo Bessone & Dora Gomes

1993 – OPEN: Daniel Santos & Dora Gomes

1994 – OPEN: Gonçalo Faria & Rita Pires

1995 – OPEN: Paulo Costa & Dora Gomes

1996 – AMADOR OPEN: Sérgio Machado & Rita Pires

1997 – AMADOR OPEN: Nuno Leitão & Catarina Sousa | PROFISSIONAL: Nuno Neto

1998 – OPEN: Hugo Carvalho & Catarina Sousa

1999 – OPEN: Hugo Carvalho & Rita Pires

2000 – OPEN: Manuel Centeno & Rita Pires

2001 – OPEN: João Oliveira & Rita Pires

2002 – OPEN: Kiko Saraiva & Catarina Sousa

2003 – OPEN: Rui Ferreira & Rita Pires

2004 – OPEN: Hugo Nunes & Catarina Sousa

2005 – OPEN: Hugo Pinheiro & Rita Pires

2006 – OPEN: Manuel Centeno & Rita Pires

2007 – OPEN: Manuel Centeno & Teresa Duarte

2008 – OPEN: Hugo Pinheiro & Rita Pires

2009 – OPEN: Manuel Centeno & Catarina Sousa

2010 – OPEN:Tiago Silva & Rita Pires

2011 – OPEN: Manuel Centeno & Rita Pires

2012 – OPEN: Manuel Centeno & Catarina Sousa 

2013 – OPEN: João Barciela & Catarina Sousa

2014 – OPEN: Manuel Centeno & Joana Schenker 

2015 – OPEN: Hugo Pinheiro & Joana Schenker 

2016 – OPEN: Manuel Centeno & Joana Schenker 

2017 – OPEN: Daniel Fonseca & Joana Schenker 

2018 – OPEN: Hugo Pinheiro & Joana Schenker 

2019 – OPEN: Daniel Fonseca & Joana Schenker 

DROPKNEE

2014 – Tiago Pimentão

2015 – Diogo Pimenta

2016 – Nuno Leitão “Batata”

2017 – Luís Pereira “Porkito”

2018 – Luís Pereira “Porkito”

2019 – Hélio Conde “Laranja”

MASTERS

2015 – MASTER +35: Manuel Centeno

2016 – MASTER +35: Rui Barreira | MASTER +40: José Moreira

2017 – Não houve

2018 – MASTER +35: Manuel Centeno | KAHUNA +45: Mário Birra

2019 – MASTER +35: Manuel Centeno | KAHUNA +45: Mário Birra


Fotografia: Miguel Nunes, Carlos Pinto, Pedro Graça, Nuno Mestre & Tomané

Todos os direitos reservados. Está proibida a reprodução parcial ou integral sem autorização escrita. 

Comentários