No mundo do bodyboard, há pranchas e pranchas. Há umas que são autênticos aviões, outras que são “espalha brasas” e ainda outras que são autênticas bombas. Nesta última categoria, foi-me recentemente dada a oportunidade de espreitar o culminar de um projeto de 10 anos que achei absolutamente fantástico.

O responsável, Nuno Neto, campeão nacional profissional em 1997, referiu à Vert Magazine que esta obra é única no Mundo. E mais, adiantou mesmo que é o pináculo de muitos anos de estudo, pesquisa e trabalho em torno de uma prancha concebida especialmente para Dropknee que combina velocidade, controlo e conforto superior. 

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O resultado, cuja evolução podemos ver nas imagens em cima, é surpreendente e levanta uma questão bem pertinente: Será este o futuro, o caminho, para as pranchas de Dropknee?

A prancha, que pode ser considerada um misto de surf com bodyboard (50/50), usa materiais e técnicas de fabrico comuns do bodyboard, mas também recorreu a PU branco (blank de poliuretano) com que as pranchas de surf são atualmente produzidas. 

Nuno Neto, esse grande percursor do Dropknee, nome inconfundível do bodyboard nacional, o homem por trás da ideia original, fez o favor de nos falar sobre tão brilhante projeto: 

“O projeto começou há cerca de 10 anos atrás e nasce da necessidade de, nessa altura, muita gente estar a transitar para o surf por não estarem a conseguir gerar velocidade nas pranchas ou simplesmente por quererem ter uma abordagem diferente na onda. Pensei então na altura numa prancha de Dropknee que pudesse ter um fundo mais rápido. E aí surgiu a ideia de usar a tecnologia que o surf utiliza para criar esse mesmo fundo, pois a partir daí tinha possibilidade de shapar o fundo de uma forma muito precisa e de lhe dar todo o tipo de interações – como canais, concaves, noses, rails. Para além disso, tendo esta parte inferior, ou seja, o slick mais 50% do rail nesse material fibrado, obteria mais velocidade. Parti desse princípio, mas, claro, como todas as ideias, têm que ser experimentadas e há que pesquisar sobre os materiais. Uma das dúvidas que tinha prendia-se como iria juntar os dois materiais ou aderir um core (bloco) de bodyboard para oferecer conforto àquela parte de PU. Obviamente, fui encontrando vários malucos como eu pelo caminho. A equipa da Refresh foram uns que se juntaram ao projeto e, mais recentemente, a Home Blown de Bruno Birra também se disponibilizou a introduzir um shaper, um determinado shape e outline. O Raul, um brasileiro que tem muita experiência de shape, ajudou-me a shapar a prancha no que diz respeito à hidrodinâmica, dando-me o seu parecer e dizendo o que resultaria melhor. Mais tarde a Primvs ofereceu-se para produzir e laminar o bloco. Numa segunda fase, a Refresh tratou daqueles 50% que é o core e o deck para ficar tudo perfeitinho. O resultado final traduz-se em maior velocidade, maior estabilidade, uma linha de onda diferente onde se consegue soltar muito mais água do que uma prancha de bodyboard convencional. Nos tubos a prancha é incrivel, pois conseguimos fazer aquilo que queremos: dá para atrasar, dar gás e passar secções! Oferece-nos uma linha de surf completamente diferente, muito mais fluída, mais veloz. Basicamente, é isso. É uma prancha só e apenas pensada para Dropknee. O que podem ver nas imagens é a terceira geração do projeto. No fundo, um V16 kitado com 700 cavalos pronto para explodir água!” 

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