Foi no passado fim de semana que Miguel Nunes, nome de código MTN, um dos mais ativos fotógrafos de bodyboard em Portugal, levou a cabo a exposição Salt Faces. De acordo com o próprio, esta “é uma homenagem aos rostos que o influenciaram ao longo dos tempos”.

Na altura fiquei com a pulga atrás da orelha e decidi disparar mais algumas questões. Vejamos então o que o fotógrafo de 29 anos, que já vai com quinze de carreira, teve para nos dizer.

Explica-nos o conceito do Salt Faces?
O conceito é muito simples. Basicamente, trata de fotografar/retratar os meus amigos, antes ou depois de uma surfada, não interessa o sítio mas antes a maneira como a fotografia é feita. Um registo sempre igual para ter uma uniformidade geral no projeto.

Como surgiu a ideia?
Nem sei bem.. mas surgiu na necessidade de alguma maneira querer homenagear os amigos mais próximos pela confiança que depositam no meu trabalho. Acho que esta foi a maneira que encontrei mais objetiva e representativa para o efeito.

O que pretendes atingir com esta exposição?

Queria atingir a maior parte dos meus amigos. Claro que falta mais gente importante na exposição, mas por serem de outras zonas dos país tornava-se um pouco complicado. Contudo, consegui que estivessem presentes a maioria deles e isso deixou-me muito contente e com a sensação de missão cumprida. E ao mesmo tempo também quis mostrar o meu outro olhar de fotógrafo, não tão concentrado nas ondas mas mais em expressões e composições.

Quantos riders envolvidos na exposição?
Para já arranquei com 14.

Qual foi o grande desafio no todo do processo?
Um dos maiores desafios foi fotografá-los e tentar que não percebessem para que fim eram as fotografias, pois não queria revelar nada do projeto até ao dia da exposição. As perguntas eram mais que muitas e tinha de estar sempre a inventar, inclusive, algumas vezes utilizei a Vert para me safar! (risos) Depois o processo de montar a exposição também foi um bom desafio, mas a equipa da Primvs foi impecável e deu-me todo o apoio necessário.

Este é um projeto para continuar (expandir) ou fica por aqui?
Sim, este projeto pode não ter fim, quero continuar isto por muitos mais anos, quero fazer uma coleção de Salt Faces gigante, entre amigos e conhecidos, e tentar expandir mesmo a outros desportos e áreas (a pesca, por exemplo).

Que outros projetos tens em mente no campo da fotografia?
Para já nada, vou continuar apenas com este projeto. O tempo cada vez é menos para fotografar devido a questões profissionais, por isso, todo o tempo que tenho livre quero canalizá-lo para a praia e a fotografar o máximo de ação que for possível.

Para onde caminha a fotografia?
A fotografia está cada vez mais incrível, com o aparecimento das GoPro, iPhones, etc; quase toda a gente consegue tirar fotos aceitáveis. Onde tenho visto mais evolução é mesmo nas fotos aquáticas, está num nível avassalador com todos a arriscarem muito. O resultado está à vista…

Que desafios se adivinham no mundo da fotografia?
Não sei, mas a nível de tecnologia as máquinas cada vez têm mais qualidade e rapidez o que é muito bom para o nosso desporto. Depois, talvez comecem a aparecer máquinas que consigam fotografar e filmar ao mesmo tempo, visto que já vejo muitos fotógrafos também a caminharem para o campo do vídeo, uns por brincadeira outros por necessidade. Isso talvez possa ser o maior desafio.


Fotografia: Miguel Nunes | Facebook

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